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Location: Portugal

05 June, 2009

Uma lufada de ar fresco


Portugal tem um novo herói.

Apesar do aproveitamento inexplicável que a comunicação social fez dos dramas da ordem dos advogados, uma personagem ressalta deste turbilhão de problemas, que em si têm um interesse público de grau zero; dando-se a conhecer por uma atitude que refresca a salamalecada do costume da actualidade portuguesa.

A nova Maria da Fonte chama-se António Marinho Pinto. Ainda que no plano prático não se tenham concretizado em força as boas intenções e a coragem de que aparenta estar munido, o protagonismo do senhor parece ser o princípio de uma linha de acção com substância.

A razão deste destaque, pode ser exemplificado em cinco episódios deliciosos:

1) Acção: Finalmente, se nunca tinha havido ninguém - nem mesmo as grandes mentes da opinião, tão inteligentes, tão cultos, tão espertos, como Marcelo, Sousa Tavares ou Pulido Valente - que tivesse tido a coragem de dizer na cara a Manuela Moura Guedes, que o que se faz nos jornais da TVI por ela apresentados é um chorrilho sensacionalista, crucificante e anti-deontológica; tivemos finalmente uma atitude responsável. Quem foi, quem é? Marinho Pinto.
Reacção: Um início de argumentação final ao seu estilo com uma frase assertiva: "o soutor é um bufo, o soutor vem para a praça pública dizer que há advogados que FAZEM crimes, que pratiquê os não sei o quê, e que fazem não sei que mais". Seguida da saída fácil pela boa educação forçada da Betty Grafstein-meets-Overaged surfer girl, rendida a uma posição que publicamente evidenciou a falta de brio jornalístico, oportunismo fácil de uma profissional medíocre, obcecada pelo protagonismo (não seria a sua frase mais conhecida: "EU SOU MANUELA MOURA GUEDES").

2) Acção: Não só, para nós, foi este senhor corajoso na TVI, como no programa Prós e Contras disse aos seus prezados, honrosos, grandiosos, ilustres colegas (como gostam de se lamber os doutores - ninguém sabe porquê - advogados em Portugal); que os advogados não deveriam ter direito a passar à frente de ninguém nos serviços de atendimento público de entidades do Estado.
Reacção: A maioria da sala riu-se, num reflexo claro por parte do poder desleixado e instalado, que, pelo insulto fácil, sem argumentação, brada as palavras "populismo" e "demagogia". isto porque mudar para melhor e mais justo para todos não é aceitável em Portugal, e deve manter-se tudo como está. "Atan na tava ê tam bem?"

3) Acção: Salvaguardar o seu mandato, até porque foi democraticamente eleito.
Reacção: Dizem os dirigentes dos conselhos distritais da Ordem, que Marinho Pinto desrespeita a vontade dos advogados. Marinho Pinto não tem direito a impôr alterações orçamentais, apesar de ser essa uma das competências do orgão a que preside. Ai é? Tás a meter a colher no nosso prato, então bloqueie-se o funcionamento da ordem e convque-se uma Assembleia Geral extraordinária para tirar o homem de lá. E é um escândalo ele não a querer convocar!

4) Acção: Denunciar numa declaração (como faz o Presidente da República, a comunicação social e o homem do café), que há advogados que dão cobertura a actos ilícitos e inclusivé os viabilizam. Tudo o que foi feito no BPN, no BPP e noutros casos teve, pela sua complexidade, e não é preciso provas para afirmar isso, assistência jurídica. É preciso que a Ordem denuncie esses casos, para dignificar a classe.
Reacção: Está a insultar todos os 30000 advogados portugueses! Se sabe de casos que os denuncie! É uma declaração muito grave! Mais grave ainda, porque queremos que ele saia do conselho geral da ordem. Ponha-se processos disciplinares, pode ser que ele saia.

5) Acção: Insurgiu-se contra o facto de os "magistrados pressionados" no caso Freeport terem pedido uma audiência ao Presidente da República e não aos orgãos indicados para o efeito, tais como o Conselho Superior de Magistratura e o Ministério Público. Explicou o bastonário que o Presidente não pode tomar quaisquer acções que não consultivas e que este "encontro" põe em causa a separação de poderes no estado de direito.
Reacção: Marinho Pinto é amigo do Sócrates! Está tudo feito! Esse senhor é corrupto e ataca os magistrados!

Até agora, gritamos "Golo" cada vez que Marinho Pinto fala de questões que devem ser abertamente discutidas, como há muito ninguém fazia. E porque num país em que delicadeza é sinónimo de fraqueza não se podem ter meias palavras, este homem manuseia a frontalidade no limite da boa educação com uma coragem invulgar,

Seja qual tenha sido a sua, dizem, obscura carreira como advogado (e até como jornalista), estamos curiosos para ver o grau de influência da postura política do bastonário, que foi, até agora, tanto quanto se viu, coerente na defesa das suas posições e corajoso na natureza das suas afirmações.

Uma lufada de ar fresco entre barbas e dossiers.

You go girl!

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