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Location: Portugal

26 June, 2009

Don't stop 'till you get Enough



Depois do concerto de Alvalade, já Michael Jackson tinha morrido para sempre na nossa rotina quotidiana. Deixou de ser um artista, cujo trabalho seguimos e apreciamos e procuramos do seu trabalho retirar prazer com alguma regularidade, a sua presença física passou tudo isso para secundário. A sua música perdeu para nós toda a suscitação de interesse de forma regular, tal como religiosos medianos que não precisam de ler a mesma oração todos os dias.

Era uma coisa já tão lá, no mesmo sítio, era como o Castelo de São Jorge, de que aparentemente não precisamos, que só contemplamos de vez em quando, mas que, quando queremos, nos desperta uma sensação de pertença, de segurança no nosso conhecimento e na nossa experiência de vida. Mas isso só acontece porque está lá, e há-de estar sempre. Pode não ter qualquer impacto na vida e pode até estar desaparecido durante anos, mas está simplesmente lá. Agora, o Wacko Jacko já não está.

Era uma espécie de sub-divindade distante e majestática, que, apesar de não ocupar sequer um nano-segundo de um único pensamento nosso há eternidades, faz com que a sua perda nos afecte de certa forma, sem sabermos porquê. A perda de uma referência ausente, não sabemos, é estranho.

Bom, mas para não parecer que isto é mais uma lamechice na onda da maré de notícias e do momentum da actualidade, deixamos acima uma música que bem representa, quanto a nós, a vida e a morte de Michael Jackon: não pares até teres o suficiente, para bem ou para mal. Uma música apropriada para quem nunca parou até ter tudo, e nada...

09 June, 2009

A Selecção de todos nós

A proeminência da música luso-americana é um facto incontornável, uma corrente que junta contemporâneos esquemas coreográficos com a arte do canto popular e urbano, com isto interligando rasgos literários de brilhantismo imensurável.

É a chamada da portugalidade que atravessa oceanos, que se funde com a cultura local, que expande a identidade da nação de uma forma quinto-imperialista, que espalha a lusa espiritualidade esclarecida por onde passe leve e vibrante língua de Camões, desta forma musicada.

Contemplai as vozes dos filhos de Viriato e Gama, de Henriques e Dias, de Albuquerque e Magalhães!

1) Duo São Lindas - Poesia



2) Telmo Miranda - Ela é Portuguesa


3) Eduardo Mourato - The Blue Ocean

05 June, 2009

Uma lufada de ar fresco


Portugal tem um novo herói.

Apesar do aproveitamento inexplicável que a comunicação social fez dos dramas da ordem dos advogados, uma personagem ressalta deste turbilhão de problemas, que em si têm um interesse público de grau zero; dando-se a conhecer por uma atitude que refresca a salamalecada do costume da actualidade portuguesa.

A nova Maria da Fonte chama-se António Marinho Pinto. Ainda que no plano prático não se tenham concretizado em força as boas intenções e a coragem de que aparenta estar munido, o protagonismo do senhor parece ser o princípio de uma linha de acção com substância.

A razão deste destaque, pode ser exemplificado em cinco episódios deliciosos:

1) Acção: Finalmente, se nunca tinha havido ninguém - nem mesmo as grandes mentes da opinião, tão inteligentes, tão cultos, tão espertos, como Marcelo, Sousa Tavares ou Pulido Valente - que tivesse tido a coragem de dizer na cara a Manuela Moura Guedes, que o que se faz nos jornais da TVI por ela apresentados é um chorrilho sensacionalista, crucificante e anti-deontológica; tivemos finalmente uma atitude responsável. Quem foi, quem é? Marinho Pinto.
Reacção: Um início de argumentação final ao seu estilo com uma frase assertiva: "o soutor é um bufo, o soutor vem para a praça pública dizer que há advogados que FAZEM crimes, que pratiquê os não sei o quê, e que fazem não sei que mais". Seguida da saída fácil pela boa educação forçada da Betty Grafstein-meets-Overaged surfer girl, rendida a uma posição que publicamente evidenciou a falta de brio jornalístico, oportunismo fácil de uma profissional medíocre, obcecada pelo protagonismo (não seria a sua frase mais conhecida: "EU SOU MANUELA MOURA GUEDES").

2) Acção: Não só, para nós, foi este senhor corajoso na TVI, como no programa Prós e Contras disse aos seus prezados, honrosos, grandiosos, ilustres colegas (como gostam de se lamber os doutores - ninguém sabe porquê - advogados em Portugal); que os advogados não deveriam ter direito a passar à frente de ninguém nos serviços de atendimento público de entidades do Estado.
Reacção: A maioria da sala riu-se, num reflexo claro por parte do poder desleixado e instalado, que, pelo insulto fácil, sem argumentação, brada as palavras "populismo" e "demagogia". isto porque mudar para melhor e mais justo para todos não é aceitável em Portugal, e deve manter-se tudo como está. "Atan na tava ê tam bem?"

3) Acção: Salvaguardar o seu mandato, até porque foi democraticamente eleito.
Reacção: Dizem os dirigentes dos conselhos distritais da Ordem, que Marinho Pinto desrespeita a vontade dos advogados. Marinho Pinto não tem direito a impôr alterações orçamentais, apesar de ser essa uma das competências do orgão a que preside. Ai é? Tás a meter a colher no nosso prato, então bloqueie-se o funcionamento da ordem e convque-se uma Assembleia Geral extraordinária para tirar o homem de lá. E é um escândalo ele não a querer convocar!

4) Acção: Denunciar numa declaração (como faz o Presidente da República, a comunicação social e o homem do café), que há advogados que dão cobertura a actos ilícitos e inclusivé os viabilizam. Tudo o que foi feito no BPN, no BPP e noutros casos teve, pela sua complexidade, e não é preciso provas para afirmar isso, assistência jurídica. É preciso que a Ordem denuncie esses casos, para dignificar a classe.
Reacção: Está a insultar todos os 30000 advogados portugueses! Se sabe de casos que os denuncie! É uma declaração muito grave! Mais grave ainda, porque queremos que ele saia do conselho geral da ordem. Ponha-se processos disciplinares, pode ser que ele saia.

5) Acção: Insurgiu-se contra o facto de os "magistrados pressionados" no caso Freeport terem pedido uma audiência ao Presidente da República e não aos orgãos indicados para o efeito, tais como o Conselho Superior de Magistratura e o Ministério Público. Explicou o bastonário que o Presidente não pode tomar quaisquer acções que não consultivas e que este "encontro" põe em causa a separação de poderes no estado de direito.
Reacção: Marinho Pinto é amigo do Sócrates! Está tudo feito! Esse senhor é corrupto e ataca os magistrados!

Até agora, gritamos "Golo" cada vez que Marinho Pinto fala de questões que devem ser abertamente discutidas, como há muito ninguém fazia. E porque num país em que delicadeza é sinónimo de fraqueza não se podem ter meias palavras, este homem manuseia a frontalidade no limite da boa educação com uma coragem invulgar,

Seja qual tenha sido a sua, dizem, obscura carreira como advogado (e até como jornalista), estamos curiosos para ver o grau de influência da postura política do bastonário, que foi, até agora, tanto quanto se viu, coerente na defesa das suas posições e corajoso na natureza das suas afirmações.

Uma lufada de ar fresco entre barbas e dossiers.

You go girl!