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11 February, 2008

Polícia com malícia


É verdade que este blogue tem deixado de ter o tom engraçado com que por vezes se apresentava; mas se nele se insiste em retratar, a mal ou a bem, aquilo que vai na alma que comanda estes dedos teclantes, não podia ser mais sério o tom com que se pode comentar aquilo que se passou na passada Sexta-feira, dia 8 de Fevereiro na entrada do Grémio Lisbonense.

O episódio é já sobejamente conhecido, e basta procurar no Google ou ler os comentários livres feitos a notícias de edições de jornais online para se conhecer os seus contornos.

Como coicidentalmente tínhamos escrito em entrada recente, o poder policial está-se a tornar quase repressivo neste país. Para isso, julgamos, muito contribui a inacção de um governo mediador e a impotência duma oposição política ridícula, ora pintada pelos pouco credíveis devaneios comunistas e bloco-esquerdistas, ora por um PSD liderada por aquele ícone do bem-fazer, o menino-guerreiro Pedro Santana Lopes. A dormência política da população e a raridade com que se manifesta o seu oposto é também razão para esta situação.

Este contexto contribui, primeiro, para um sentimento de poder inadequado dos agentes da autoridade e suas chefias; e, sobretudo, em segundo lugar, para a continuação deste estado de coisas, onde a população é olhada como uma massa de estúpidos ignorantes, que ao se manifestarem politicamente só evidencia que precisam de mais umas palmadas.

Por que razão, em Lisboa, ainda temos uma Mouraria e outros bairros periféricos em regime de sub-Estados, onde manda o crime e o tráfico de droga; e outras zonas onde simplesmente não se circula à noite. E porque razão, no Grémio Lisbonense, se chamou uma equipa de não sei quantos polícias de choque para proteger um despejo - que já estava consumado -, que nunca, atenção, nunca foi impedido pelas pessoas presentes.

Um massa de revoltosos a invadirem e a destruirem propriedade privada como nós subúrbios de Paris? A agredirem a polícia como na Geórgia? Não, a perigosa marabunta era composta por algumas dezenas velhos sócios do Grémio e alguns jovens que por ali paravam, sem quaisquer intenções violentas. Onde estão os polícias de choque a inrroperem pelas casas desses criminosos, a agredirem os traficantes de mulheres, os chulos, e outros que tais? Que fazem eles a proteger um stand de automóveis num jogo de futebol, como já aqui falámos?

Nas palavras de um comissário da PSP, a polícia "utilizou os meios coercivos necessários e adequados para repor a legalidade". Pois, no Grémio, não só os velhos e os novos levaram todos de bastonada, apenas por palavras; como algumas mulheres foram, ao que se diz, fisicamente assediadas por polícias. Um jovem foi mesmo levado para a esquadra e espancado, como se isto agora fosse o Estado Novo; e alguns jornalistas - incluindo o caso declarado do fotógrafo da Agência Lusa - foram agredidos, e outros viram as suas câmeras ameaçadas de roubo. Muitos agentes não estavam sequer identificados, estilo tropas de assalto. Ver este vídeo, cujo link foi simpaticamente colocado nos comentários deste blogue por um@ anónim@, sabendo deste contexto, é explicativo do que se passou.

Realmente, não sabemos se por se ter passado num contexto tão próximo, mas, realmente, este episódio suscitou em nós uma vergonha em viver neste país, e um sentimento violento de revolta em relação governo e à polícia. O prazer mórbido que retiram de bater nas pessoas é de uma formação policial muito atrasada, e esperamos que isso continue a figurar todos os anos, como aliás, há muitos que acontece, nos relatórios sobre direitos humanos da ONU e muitas ONG's. Quem tem orgulho em Portugal?

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