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15 November, 2007

Um aliado na luta pela democracia...


Como é possível que não venha ninguém falar daquilo que se está a passar no Paquistão. O amigo Musharraf, sim, esse que era "o amigo" dos americanos na Operation Enduring Freedom ou Everlasting Freedom ou coisa assim; a invasão do Afeganistão, pronto.

Depois de ter sido colocado no poder com um golpe militar muito democrático, onde está desde 1999, como Presidente do Paquistão e Chefe das Forças Armadas; Pervez Musharraf começou a não gostar da ideia de ver o seu "mandato provisório" chegar ao fim. E já antes tinha demonstrado que não o excitava muito sair do trono, já que forçou os juízes paquistaneses a fazerem novo juramento profissional, obrigados a não tomar decisões contra o governo militar em 2000.

Mais recentemente, para acalmar medos em relação à natureza castrense do seu poder, Musharraf prometeu deixar o cargo de Chefe das Forças Armadas, e não cumpriu.
Feita a uma coligação dos seis principais partidos islâmicos, esta promessa funcionou como moeda de troca, para que esta coligação viabilizasse, em 2002, a maioria parlamentar de dois terços, que abriu portas à legalização do golpe militar. Mais tarde, foi utilizada essa maioria para legalizar a acumulação do cargo de chefe de estado e das forças armadas, exactamente o contrário do que tinha prometido à oposição fazer.

E foi assim que esse grande aliado da cruzada mundial pela democracia e pela liberdade se decidiu a mandar cercar o Supremo Tribunal, no princípio deste mês, enquanto os juízes seus amigos deliberavam sobre a dissolução do Parlamento e das assembleias provinciais, e sobre a data das próximas eleições. Antes, já tinha sido dado um soco na Constituição, já que Musharraf não se poderia recandidatar porque a Constituição do Paquistão só permite mandatos de cinco anos. Os amigos de Pervez no Supremo do Paquistão conseguiram fazer chumbar as reclamações dos partidos da oposição, alcançando uma vitória por seis votos contra três.

Entretanto, enquanto decidem, que decide o Tio Pervez fazer? Demite o presidente do Supremo tribunal, não vá o diabo tecê-las; manda deter em prisão domiciliária os seus principais opositores, nomeadamente Benazir Bhutto, entretanto regressada - que também não é nenhuma santa, diga-se -, Nawaz Sharif - antigo chefe de um estado falhado - e até o "rei do Cricket", Imran Khan que agora lidera um dos partidos opositores.

Além disso, e acima de tudo, Musharraf decretou o Estado de Emergência, como se tivesse havido uma catástrofe natural ou uma guerra com a Índia! Para quê? Para suspender a Constituição e dar ao Exército o poder supremo para que se possa preparar com calma a recondução do General, agora através de eleições livres, diz, a serem realizadas em Janeiro. Aqui e ali, umas cargazitas policiais sobre os advogados que tentavam entrar, no fim de Outubro, no Supremo Tribunal para pedir explicações, e detenções de tudo o que mexe, nomeadamente os apoiantes de Benazir Bhutto.

De George Walker Bush, nem uma palavra de aviso ou exigência ao grande amigo, mas antes uma mensagem de esperança, de quem se importa com o povo paquistanês, de quem está indignado com este pontapé na democracia, de quem quer levar a liberdade a todos os cantos do mundo, de quem manda invadir países para apanhar os "bad guys"; a preocupação de Bush está bem visível nas palavras solitárias que dirigiu a este assunto:

"Our hope is that he will restore democracy as quickly as possible". E já está!

É preciso dizer mais alguma coisa?

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Só para dizer que amei os balõezinhos

BigSys

7:07 AM  

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