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19 November, 2007

Ganda regresso malucos!


Foi com um sentimento de anarco-rebelde-sem-causa que urina em todo o lado e parte garrafas de cerveja no chão, depois de ter bebido a sua décima em quinze minutos, que entrámos no concerto de NOFX; essa mítica banda de todas as juventudes, que tem, pois, algo a dizer, credibilizada pela mestria com que manipula a linguagem musical do punk rock.

Banda formada em 1983, na Califórnia, veio a Portugal pela terceira vez, depois de Faro 1997 e Lisboa 2003; e, mais uma vez, Fat Mike e seus compinchas vieram fazer ao vivo aquilo que em miúdos sonhávamos através da banda magnética da velha cassete gravada, que diária e recorrentemente reproduzia os alinhamentos dos álbuns Punk in Drublic, White Trash Two Heebs and a Bean, Ribbed e outros que tais (cada álbum tinha para aí meia-hora, o que era conveniente, porque, às vezes, dava para gravar três álbuns numa cassete de 90 minutos).

Sempre uma voz pelo non-sense, à americana, os temas de NOFX partiram de trocadilhos de episódios envolvendo "beer bongs", mulheres gordas, lésbicas, mulheres musculadas e até namoradas que tanto chateiam para que o jovem punk tome banho. Letras políticas, na senda do anti-capitalismo filosófico, mas ao mesmo tempo não-alinhado e não-ideológico, não poupando no sarcasmo ao criticar aqueles que se dizem seguidores de uma "corrente", seja ela de que natureza for; mesmo aqueles tontos que se auto-intitulam "Straightedge" e que culpam o alcoól, as drogas e o sexo sem amor por todos os males do mundo - e que, no nosso tempo, andavam com uma cruz pintada nas costas da palma da mão, vá-se lá saber. Passando por críticas implícitas ao governo americano e à vida conservadora, não esquecendo algumas canções de amor e sexo, como a curta balada "Together on the Sand". Contadores de rábulas originais, fazem muitas vezes da metáfora uma arma de denúncia.

Em suma, e para não descrever mais NOFX desta maneira pseudo-académica, é a atitude do "tou-me a cagar, não toco um cú, cheiro a merda e só faço merda". E eles insistem nisto, mesmo com os seus 24 anos de experiência! Uma das maiores referências de sempre do punk rock americano, que marcou várias gerações e ainda o curso que este estilo musical tomou nos nossos tempos (de realçar o bombo da bateria nas batidas rápidas, quem não reconhece o "tum-ta-turum-ta-tum-ta-turum-ta"). Uns virtuosos do punk, isso é certo.

"Então e o concerto? Foi bacano ou quê?" Foi sim senhora, temas recentes intercalados com antigos clássicos de pôr a plateia toda ao bico, como, entre muitos, foi "Linoleum", "Stickin' in My Eye" e uma das minhas favoritas de sempre, uma surpresa, "A Perfect Government". O vídeo de Lisboa está aqui, mas como não se percebe nada, quem não conhece a música pode, se quiser, clicar aqui - tem legendas em catalão, se ajudar.

As músicas novas, ou pelo menos pertencentes aos álbuns posteriores ao último que conhecemos - e mal -, lançado em 2002; tornaram-se já novos hinos da massa nouéfexica, e puseram o pavilhão a abanar. Pavilhão, diga-se, com muito mais condições que o do Belenenses, local do anterior concerto de NOFX em Lisboa (2003) onde fizeram 50 graus lá dentro, com direito a desmaios, suor, humidade a pingar do tecto e uma espera de 2 horas por atraso, que matou completamente as cabeças de quem se inspirava, desde as primeiras horas da tarde, com alcoól e drogas.

Desta vez houve NOFX a sério, com direito a barulho livre no fim do concerto, sim, depois do concerto, com a maioria do público já fora do recinto; feito por quem se quisesse agarrar aos instrumentos e tocar com Fat Mike - que estava a cair de bêbado, e a quem a organização só permitiu a brincadeira durante uma hora.

O "desligar da ficha" a Fat Mike marcou o fim da digressão deste ano dos NOFX, o seu terceiro concerto em Portugal, e também o aniversário dos 10 anos da Xuxa Jurássica, a grande promotora de concertos de bandas punk rock, responsável pela passagem de muitos dos grandes nomes da música do caos pelo nosso país, liderada pelo incansável Chibanga.

JÁ HÁ UMA DATA DE VÍDEOS DO CONCERTO DE NOFX EM CARCAVELOS, É SÓ PROCURAR NO YOU TUBE "nofx carcavelos" ou "nofx lombos".

Ok, está aqui um link para se ouvir excertos de quatro grandes clássicos, todos tocados ontem: Don't Call Me White, Bob, Linoleum e Leave it Alone.

Para cantar ao som de "A Perfect Government":

Even if it's easy to be free, what's your definition of freedom?
And who the fuck are you, anyway? Who the fuck are they? Who the fuck am I to say?
What the fuck is really going on?
How did the cat get so fat?
Why does the family die? Do you care why?
Cause there hasn't been a sign of anything gettin' better in the ghetto,
People's fed up, but when they get up
You point your fuckin' finger, you racist, you bigot, but that's not the problem
Now is it?
It's all about the money political power is takin',
Protecting the rich, denying the poor
Yeah, they love to watch the war from the White House
And I wonder...
How can they sleep at night?
How can they sleep at night?
How did the cat get so fat?
How did the cat get so fat?
How did the cat get so fat?
How did the cat get so fat?

3 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Os Miticos !!!!!!!
Deve ter sido a PDL !!!
Curti a reportagem !!
Um abraco

F.

7:17 PM  
Anonymous Anonymous said...

que grande concerto que foi! nunca vi um moche assim na vida! ainda tenho negras no corpo todo!

4:20 PM  
Anonymous Anonymous said...

Tive nos 3 concertos deles em Portugal. Deixa-me dizer que a acustica da sala é uma grande merda. Não havendo outra expressão! Infelizmente foi daqueles que pensava que eles já não voltavam!

9:54 AM  

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