"

My Photo
Name:
Location: Portugal

22 November, 2007

AICEP dá tachos!



Além do programa INOV Contacto, o AICEP ainda dá tachos a quem se portar melhor! Não é certo o que faz exactamente um delegado do AICEP numa embaixada no estrangeiro. A ideia que temos é que pouco mais fazem que ir buscar os candidatos do programa contacto ao aeroporto; ok, talvez um pouco mais que isso, mas não mais que um adido ou consultor qualquer; exceptuando o facto de que estes não precisam de exame externo para entrada na carreira diplomática, nem ter provas curriculares dadas ou carreiras consistentes. Acabaram de fazer o INOV Contacto, é preciso mais!?

O AICEP é que não tem vergonha nenhuma, e ainda põe notícia dos novos tachos no "site".

As gentes que por acaso se cruzam com estes escritos devem pensar "fogo, este gajo é um picadinho, não entrou na cena, e agora anda a fazer birras". É verdade, estamos picadinhos com eles, mas é mesmo por ninguém dizer nada, nem deles, nem de ninguém, que este país é como é. O facto de se ser reivindicativo é motivo de se ser gozado. A verdade é essa, e pronto, toda a gente é enrrabada a sangue frio e ainda se riem. Abram os olhos!

19 November, 2007

Ganda regresso malucos!


Foi com um sentimento de anarco-rebelde-sem-causa que urina em todo o lado e parte garrafas de cerveja no chão, depois de ter bebido a sua décima em quinze minutos, que entrámos no concerto de NOFX; essa mítica banda de todas as juventudes, que tem, pois, algo a dizer, credibilizada pela mestria com que manipula a linguagem musical do punk rock.

Banda formada em 1983, na Califórnia, veio a Portugal pela terceira vez, depois de Faro 1997 e Lisboa 2003; e, mais uma vez, Fat Mike e seus compinchas vieram fazer ao vivo aquilo que em miúdos sonhávamos através da banda magnética da velha cassete gravada, que diária e recorrentemente reproduzia os alinhamentos dos álbuns Punk in Drublic, White Trash Two Heebs and a Bean, Ribbed e outros que tais (cada álbum tinha para aí meia-hora, o que era conveniente, porque, às vezes, dava para gravar três álbuns numa cassete de 90 minutos).

Sempre uma voz pelo non-sense, à americana, os temas de NOFX partiram de trocadilhos de episódios envolvendo "beer bongs", mulheres gordas, lésbicas, mulheres musculadas e até namoradas que tanto chateiam para que o jovem punk tome banho. Letras políticas, na senda do anti-capitalismo filosófico, mas ao mesmo tempo não-alinhado e não-ideológico, não poupando no sarcasmo ao criticar aqueles que se dizem seguidores de uma "corrente", seja ela de que natureza for; mesmo aqueles tontos que se auto-intitulam "Straightedge" e que culpam o alcoól, as drogas e o sexo sem amor por todos os males do mundo - e que, no nosso tempo, andavam com uma cruz pintada nas costas da palma da mão, vá-se lá saber. Passando por críticas implícitas ao governo americano e à vida conservadora, não esquecendo algumas canções de amor e sexo, como a curta balada "Together on the Sand". Contadores de rábulas originais, fazem muitas vezes da metáfora uma arma de denúncia.

Em suma, e para não descrever mais NOFX desta maneira pseudo-académica, é a atitude do "tou-me a cagar, não toco um cú, cheiro a merda e só faço merda". E eles insistem nisto, mesmo com os seus 24 anos de experiência! Uma das maiores referências de sempre do punk rock americano, que marcou várias gerações e ainda o curso que este estilo musical tomou nos nossos tempos (de realçar o bombo da bateria nas batidas rápidas, quem não reconhece o "tum-ta-turum-ta-tum-ta-turum-ta"). Uns virtuosos do punk, isso é certo.

"Então e o concerto? Foi bacano ou quê?" Foi sim senhora, temas recentes intercalados com antigos clássicos de pôr a plateia toda ao bico, como, entre muitos, foi "Linoleum", "Stickin' in My Eye" e uma das minhas favoritas de sempre, uma surpresa, "A Perfect Government". O vídeo de Lisboa está aqui, mas como não se percebe nada, quem não conhece a música pode, se quiser, clicar aqui - tem legendas em catalão, se ajudar.

As músicas novas, ou pelo menos pertencentes aos álbuns posteriores ao último que conhecemos - e mal -, lançado em 2002; tornaram-se já novos hinos da massa nouéfexica, e puseram o pavilhão a abanar. Pavilhão, diga-se, com muito mais condições que o do Belenenses, local do anterior concerto de NOFX em Lisboa (2003) onde fizeram 50 graus lá dentro, com direito a desmaios, suor, humidade a pingar do tecto e uma espera de 2 horas por atraso, que matou completamente as cabeças de quem se inspirava, desde as primeiras horas da tarde, com alcoól e drogas.

Desta vez houve NOFX a sério, com direito a barulho livre no fim do concerto, sim, depois do concerto, com a maioria do público já fora do recinto; feito por quem se quisesse agarrar aos instrumentos e tocar com Fat Mike - que estava a cair de bêbado, e a quem a organização só permitiu a brincadeira durante uma hora.

O "desligar da ficha" a Fat Mike marcou o fim da digressão deste ano dos NOFX, o seu terceiro concerto em Portugal, e também o aniversário dos 10 anos da Xuxa Jurássica, a grande promotora de concertos de bandas punk rock, responsável pela passagem de muitos dos grandes nomes da música do caos pelo nosso país, liderada pelo incansável Chibanga.

JÁ HÁ UMA DATA DE VÍDEOS DO CONCERTO DE NOFX EM CARCAVELOS, É SÓ PROCURAR NO YOU TUBE "nofx carcavelos" ou "nofx lombos".

Ok, está aqui um link para se ouvir excertos de quatro grandes clássicos, todos tocados ontem: Don't Call Me White, Bob, Linoleum e Leave it Alone.

Para cantar ao som de "A Perfect Government":

Even if it's easy to be free, what's your definition of freedom?
And who the fuck are you, anyway? Who the fuck are they? Who the fuck am I to say?
What the fuck is really going on?
How did the cat get so fat?
Why does the family die? Do you care why?
Cause there hasn't been a sign of anything gettin' better in the ghetto,
People's fed up, but when they get up
You point your fuckin' finger, you racist, you bigot, but that's not the problem
Now is it?
It's all about the money political power is takin',
Protecting the rich, denying the poor
Yeah, they love to watch the war from the White House
And I wonder...
How can they sleep at night?
How can they sleep at night?
How did the cat get so fat?
How did the cat get so fat?
How did the cat get so fat?
How did the cat get so fat?

15 November, 2007

Um aliado na luta pela democracia...


Como é possível que não venha ninguém falar daquilo que se está a passar no Paquistão. O amigo Musharraf, sim, esse que era "o amigo" dos americanos na Operation Enduring Freedom ou Everlasting Freedom ou coisa assim; a invasão do Afeganistão, pronto.

Depois de ter sido colocado no poder com um golpe militar muito democrático, onde está desde 1999, como Presidente do Paquistão e Chefe das Forças Armadas; Pervez Musharraf começou a não gostar da ideia de ver o seu "mandato provisório" chegar ao fim. E já antes tinha demonstrado que não o excitava muito sair do trono, já que forçou os juízes paquistaneses a fazerem novo juramento profissional, obrigados a não tomar decisões contra o governo militar em 2000.

Mais recentemente, para acalmar medos em relação à natureza castrense do seu poder, Musharraf prometeu deixar o cargo de Chefe das Forças Armadas, e não cumpriu.
Feita a uma coligação dos seis principais partidos islâmicos, esta promessa funcionou como moeda de troca, para que esta coligação viabilizasse, em 2002, a maioria parlamentar de dois terços, que abriu portas à legalização do golpe militar. Mais tarde, foi utilizada essa maioria para legalizar a acumulação do cargo de chefe de estado e das forças armadas, exactamente o contrário do que tinha prometido à oposição fazer.

E foi assim que esse grande aliado da cruzada mundial pela democracia e pela liberdade se decidiu a mandar cercar o Supremo Tribunal, no princípio deste mês, enquanto os juízes seus amigos deliberavam sobre a dissolução do Parlamento e das assembleias provinciais, e sobre a data das próximas eleições. Antes, já tinha sido dado um soco na Constituição, já que Musharraf não se poderia recandidatar porque a Constituição do Paquistão só permite mandatos de cinco anos. Os amigos de Pervez no Supremo do Paquistão conseguiram fazer chumbar as reclamações dos partidos da oposição, alcançando uma vitória por seis votos contra três.

Entretanto, enquanto decidem, que decide o Tio Pervez fazer? Demite o presidente do Supremo tribunal, não vá o diabo tecê-las; manda deter em prisão domiciliária os seus principais opositores, nomeadamente Benazir Bhutto, entretanto regressada - que também não é nenhuma santa, diga-se -, Nawaz Sharif - antigo chefe de um estado falhado - e até o "rei do Cricket", Imran Khan que agora lidera um dos partidos opositores.

Além disso, e acima de tudo, Musharraf decretou o Estado de Emergência, como se tivesse havido uma catástrofe natural ou uma guerra com a Índia! Para quê? Para suspender a Constituição e dar ao Exército o poder supremo para que se possa preparar com calma a recondução do General, agora através de eleições livres, diz, a serem realizadas em Janeiro. Aqui e ali, umas cargazitas policiais sobre os advogados que tentavam entrar, no fim de Outubro, no Supremo Tribunal para pedir explicações, e detenções de tudo o que mexe, nomeadamente os apoiantes de Benazir Bhutto.

De George Walker Bush, nem uma palavra de aviso ou exigência ao grande amigo, mas antes uma mensagem de esperança, de quem se importa com o povo paquistanês, de quem está indignado com este pontapé na democracia, de quem quer levar a liberdade a todos os cantos do mundo, de quem manda invadir países para apanhar os "bad guys"; a preocupação de Bush está bem visível nas palavras solitárias que dirigiu a este assunto:

"Our hope is that he will restore democracy as quickly as possible". E já está!

É preciso dizer mais alguma coisa?

09 November, 2007

Uma voz nasce do álcool


Podia-se falar um bocado do baile que Santana Lopes levou no debate parlamentar do Orçamento de Estado, ou até da terceira greve geral desde que Sócrates é Primeiro-ministro; mas não apetece muito. (Que original esta introdução).

O que vamos mesmo fazer, e já que tanto Santana Lopes como as Frentes Comuns e Centrais Sindicais se veêm incapazes de deitar por terra o muro arrogante do governo; é falar do concerto de Ena Pá 2000 no dia 31 de Outubro no Santiago Alquimista, e do único protocandidato que interessa no meio desta porcaria toda.

Realmente, se houve voz sempre activa e dasavergonhada foi a de Manuel João Vieira, candidato que este blogue apoia sem reservas para a Presidência da República em 2011. Pode ver-se a reportagem do DN sobre o lançamento da candidatura, já em 2005, e ainda actualizar o nosso conhecimento sobre o que vai pensando o verdadeiro Manuel alegre no blogue Ena Pá 2011.


E o concerto de dia 31, é verdade. Foi um concerto de Ena Pá 2000 como manda a lei, com os clássicos de vocabulário grosseiro orgulhosamente entoados pelo público mais fiel; num espaço e tempo únicos de libertinagem e libertação. Como se o Natal devesse ser todos os dias, também este sentimento de liberdade de expressão e sarcasmo deveria ser ostentado sempre por todos os cidadãos. E todos os concertos deviam ser bons, bem tocados e com qualidade sonora, o que não aconteceu, mas o que interessa é a mensagem.

Não foi, de facto, o melhor concerto da lendária banda cidadã de todo o Portugal, mas quem acompanha o trabalho deste agrupamento da Foz do Arelho, regojizou-se, concerteza, com a sequência de clássicos deboché, que passou por "Fim-de-semana em Vizela", "Olga", "Dona" e outras odes de rebeldia verbal. O movimento Vieira foi consagrado no hino "A luta continua", onde o espírito anti-chulos-instalados-e-encartados provou que está vivo e pronto para atirar aos patos bravos. A alternativa Vieira, é a de quem não se revê em nenhum dos pretendentes ao poder deste país, e, mais que apoiar Vieira, é não apoiar mais ninguém, como mais que ser sportinguista se é anti-benfiquista. Aquela onda, á portuguesa.

E pronto, aí está; vota Vieira 2011, e em mais nenhum dos que lá andam!

"E continua a luta, contra os Filhos da Puta."