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29 October, 2007

INOV Contacto - Mais um ano de favorecimentos


Ora bem, há cerca de um ano e um mês escrevemos sobre o programa estágios internacionais INOV Contacto, promovido pelo ICEP.

Na altura, fizémo-lo com grande veemência, por considerarmos que havia favorecimento na selecção dos candidatos; e que o programa favorecia, não o mérito, mas sim se o candidato tinha ou não cunhas dentro da instituição. A diferença entre este e aquele post é as bases em que se fundamentam essas acusações, visto agora saber-se, podendo ser verdade ou não (sabemos que, para nós, é verdade, mas com estas revisões do Código Penal e do Código de Processo Penal é melhor ter cuidado), que existem esses favorecimentos.

Sublinha-se que nem toda a gente que está no programa tem alguma coisa a ver com cunhas ou favorecimentos, e que, mesmo se tivesse tido, nós, no lugar deles, tínhamos também aproveitado; mas cientes do risco de que poderíamos ser denunciados. Este país é assim, e nós, por muito que custe, temos que jogar na lei do faroeste.

Estas informações - de carácter credível ou não, mais uma vez, é melhor -, que foram recolhidas a partir de testemunhos de candidatos seleccionados e de pessoas com conhecimento de causa, apontam para três factos preocupantes, que podem ajudar a ilustrar a idoneidade deste programa.

Primeiro, houve pessoas, pelo menos na edição de 2006/07, que já sabiam o destino do seu estágio internacional e quanto iam ganhar em subsídio de estágio - convém sublinhar que este "subsídio" no contexto bolseiro português se cifra em cerca de três vezes mais que o "bolseiro" de investigação português médio para áreas científicas de relevo. Estas informações são reveladas ao comum candidato - o sem-cunhas, portanto - no dia do fim da formação, mas alguns já o sabiam.

Segundo, houve uma pessoa que repetiu, contra os termos da lei, o programa de estágio internacional INOV Contacto, tendo sido usados fundos da edição anterior à desse candidato para financiar mais um ano de "rei", podendo ficar - ao contrário do que já acontece com os candidatos da última edição - com o computador portátil que lhe é "emprestadado".

Mais uma vez, convém sublinhar que a fonte destas informações pode ou não ser credível.

Terceiro, a atitude do AICEP em relação a revelar informações sobre este programa é sempre de muita reserva. Não se percebe porquê, já que deviam ser do domínio público, visto que os pobres "Contacteantes" apenas têm um subsídio que varia entre os 1500 e os 2000 euros em alguns sítios de custo de nível de vida elevado como Roménia, Polónia, Brasil e etc.; e lhes é dado - agora já não, pelos vistos - um computador e viagens de ida e volta ao seu destino.

E foi esta atitude que encontrámos, com dados na mão, quando lhes perguntámos porque é que os candidatos aceites foram todos dos mesmos cursos. A mesma atitude quando perguntámos porque é que é não conseguimos, ao fim de três anos, sequer ser chamados a provar que merecemos entrar. "Não entrou ninguém do curso que refere. Este ano (2007) era só para cursos virados para as novas tecnologias". Cursos esses, tais como gestão e economia, que colocaram cerca de 30 candidatos (de 88) no programa deste ano. Só cursos de novas tecnologias? Quando confrontados com a questão sobre entradas de candidatos com a nossa formação, a funcionária do AICEP referiu que NINGUÉM entrou. Mas isto sabemos nós, e agora a fonte é credível e documentada, entraram dois candidatos, temos os nomes, temos tudo. O AICEP sabe disso e não responde.

E pronto, é este o exemplo de uma entrada em grande para a vida profissional de um recém-licenciado neste país: aprende já a queimar os outros e faz amigos, é essa a lição do AICEP.

PS: Se tivéssemos entrado, como isto anda, não tínhamos dito que não, mas assim que acabássemos teríamos estado aqui a escrever isto na mesma. Admitir isto é incoerente, mas aqui, em Portugal, é o salve-se quem puder.

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Pois, é lamentável que isto aconteça. Pois são sempre as pessoas que conhecem alguém em algum lado que acabam por usufruir em primeira mão daquilo que poderia ser claramente uma ajuda no âmbito profissional para os que não conhecem ninguém em lado nenhum. É um ciclo vicioso. E um vício. E também eu se pudesse fazer parte dos privilegiados, não diria que não.

11:19 AM  

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