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Location: Portugal

14 October, 2007

Fátima 2007, mais um produto Santa Sé para toda a família.


E assim foi... 90 anos de milhares de joelhos magoados e pés massacrados. Fátima, esse grande produto de exportação portuguesa. E não foi preciso produzi-lo, porque Nossa Senhora se encarregou de aparecer aos pastorinhos naquele dia de 13 de Maio (ou será Outubro, não se percebe) de 1917, criando um gerador de receitas, posteriormente utilizado para construir aquele bonito e moderno recinto, que tantas almas tem salvo ao longo do século XX e XXI.

Mas como sempre, a Igreja não trabalha de borla. Por isso, há que saber angariar fundos para pagar o vinho e o pão - sim, que os padres dominicanos não precisam de mais nada. O que é sabido, é que, pelo menos a partir de 25 de Abril de 1974, quando o nosso país finalmente já estava na rota dos crentes do mundo democrático, Fátima recebe, anualmente, milhares, senão milhões, de visitantes. Esses visitantes não dormem na rua, e não cabem de certeza todos nos albergues "promocionais" da paróquia de Fátima. Também não comem do ar, e de certeza que não vão para casa sem um souvenirzito - disponível nas 300 mil "lojas de recordações", pertencentes a sabe-se quem -, e também não há alma que se preze que não ponha uma moedinha para acender a vela (o que não deixa de ser um exercício um tanto ou quanto sagrado).

O que é certo é que até à revisão da Concordata, em 2004, não eram cobrados, neste país, impostos ao clero e suas receitas. Logo, os milhões de tostões de Fátima foram inteiramente para os barris de vinho e para os fornos de pão; mas mais que isso também não. Mas quando se pergunta, "para onde foi esse dinheiro todo"? A Igreja dispõe de um estatuto especial para poder não responder a esta pergunta, e o que é facto é que ninguém lhes exige explicações - por medo de tumultos político-sociais? Que risada.

Tendo ido, em trabalho, a uma apresentação de um polémico documentário sobre Fátima, produzido pelo canal Odisseia, no Museu Nacional de Arte Antiga; constatámos que o representante da Igreja aí presente, o Padre Luciano, tremia e se engasgava sempre que se falava dos dinheiros de Fátima. Reacção própria de qualquer membro do clero quando não consegue contrariar um argumento. E que dizia o cura? Dizia que existia uma Comissão de Contas do Santuário de Fátima, e que essas contas eram tornadas parcialmente públicas. Atenção à cara podre: "parcialmente". É que corria o ano de 2005, e a revisão da Concordata já estava em vigor, tornando a Igreja tão obrigatoriamente contribuinte como qualquer outra instituição. Porque será que é menos auditada que qualquer empresa ou entidade?

Quando questionado, por um jornalista, na altura no Expresso, sobre a veracidade da existência dessa "comissão", nas palavras do padre "composta por pessoas de renome universitário", das quais "não valia a pena estar a referir nomes"; o Padre Luciano tentou desvalorizar a importãncia da questão; com conversas sobre a importância das aparições e outras tangas, e, de repente, indiferentemente arrogante, deu por terminada a conferência de imprensa. É tão típico.

Mas o que é facto é que nunca ninguém ouviu falar dessa "comissão de contas" e a Igreja enche o bolso com Fátima sem dar cavaco a ninguém. A megalomania religiosa de um país em que só é oficialmente permitida a megalomania futebolística. "Fátima e futebol": é o título de uma reportagem da SportTV sobre a equipa do Fátima que eliminou o F.C.Porto na Taça da Liga; e, colocando-lhe o Fado, temos os três ícones que este país se orgulha de ostentar. Só que já não estamos no século dos ícones, mas sim no século do crescimento do PIB e do crescimento económico, da redução do défice de da dívida pública, e da atracção de investimento e desenvolvimento tecnológico. E para isso é preciso o sacrifício de todos, até mesmo dessas instituições que vendem o amor e a fé como se lhes pertencesse, e que deveriam ser obrigadas a apresentar contas como qualquer outro. Sacrifícios, mais uma vez, só mmesmo para alguns...

Isto pode ser especulação, mas gostávamos que, no fim das peças do telejornal sobre Fátima, viessem dados concretos sobre o dinheiro ganho nos festivais da Fé, quantas pessoas lá estiveram, comparações com anos anteriores. Porque é que isso não aparece? São ou não são do domínio público, esses dados e dinheiros?

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