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26 August, 2007

Eduardo, que vás pelos Prados e corras como um Coelho. Vais fazer falta.


Prof. Eduardo Prado Coelho: 1944-2007

A figura de Eduardo Prado Coelho era de um homem baixinho e gordinho, tinha uma fisionomia algo estranha, nada a ver com as fotografias cheias de estilo que aparecem da sua cara em jornais e capas de livros - não nos referimos especificamente a esta aqui ao lado. O que não é mentira é mesmo a mestria da escrita e pensamento, para onde quer que fosse orientada, ou qualquer que fosse o seu credo, que é tão verdadadeira como aquilo que lhe conhecemos.

O Professor Eduardo Prado Coelho é conhecido por todos pela sua carreira profissional, como escritor e académico, mas também pela como um cronista de referência, com os seus good ol' textos no Público, que sintetizavam a actualidade em simples e curtos parágrafos, por vezes fundido-a com experiências pessoais e referências culturais e lúdicas. Marcelo? Não. Este Professor era uma personagem calma, mas que jogava à bola em muitos campos do conhecimento como se fosse o Pelé. Um mestre em escrever como conversa. Quanto às crónicas: quando o cozido está pesado, comemos só o chouriço, quando o Público era denso, comia-se a crónica do Professor; que tão raramente nos desiludia.

Encontrámo-lo em sua casa, em 2005, para lhe fazer perguntas sobre a sua vida pessoal. Ele não gostou lá muito, mas lá foi contando aquilo para o que tinha paciência. Não era lá muito simpático e escrevia melhor do que conversaria com estranhos, inspirada é esta opinião nesse único contacto; mas seria daquelas pessoas a quem, por respirarem tanta genialidade e intelectualidade, era possível compreender certas falha na gestão da melhor sociabilidade possível. Até as suas eventuais prepotências perdem significado, se foram o preço a pagar por termos tido neste país uma mente assim.

Tivemos pena de nunca termos tido a oportunidade de falar com esta personagem tão peculiar no seio dos opinion-makers portugueses sobre o seu trabalho. Um marco da nossa literatura de fim do século XX, não só pela obra - que nunca lemos, todavia -, mas pelo papel que ocupou no fortalecimento da cultura portuguesa na Europa unida.

Se há alguma coisa a que se lhe atribui mérito - deve haver, mas não sabemos mais - que se refira. A sua partida foi uma notícia que nos comoveu de certa forma, por convivermos com ele, através daquelas páginas. Uma figura que merece palmas.

A última crónica do Professor no Público está aqui

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