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30 August, 2007

Banhada 29



É a morte do banho 29. Proíbiram as fogueiras na praia, matando assim um dos espectáculos populares mais bonitos de Portugal. O sítio onde tem mais afluência, Lagos, e aquele que melhor conhecemos, há muito vinha perdendo a magia dos amigos à volta da fogueira cheios de chouriço e coisas que tal; com guitarrada, djambézada e mantas, onde toda a gente ia e vinha, pela noite dentro. Já para falar que cada vez menos havia menos corajosos a banhar-se no mar à meia-noite.

Em vez disso, havia festas de progressivo e de trance, que também era bem bom, muitas vezes feitas perto de mega-fogueiras que chegavam para toda a gente que estava na festa. Além de se poupar o penoso transporte da lenha para a praia, também se servia imperiais e bebidas brancas, o que dispensava a geleira. Uma inovação, mas nada má. Já não era aquela onda hippie, mas estava-se bem, sim senhora.

Agora, este ano, como um amigo lacobrigense lhe chamou, foi a Banhada 29. Ou seja, retiraram ao povo tudo aquilo a que tinha direito, e deram ao Toy e à Mónica Sintra, à Rádio X, à Câmara Municipal e às patrocinadoras marcas de cadeias de supermercados do campo, a supremacia total. O único evento, em Lagos, que marca o banho 29 é provavelmente o concerto dos bimbos na Praia da Batata.

Se estão tão preocupados com o lixo biodegradável deixado pelas cinzas das fogueiras do Banho 29, então pensem bem se, por exemplo, na Meia-praia, deveriam ter deixado os construtores civis comer aquilo tudo. É verdade que era muita gente e que as praias não estavam limpas para os banhistas no dia a seguir, mas já que a Câmara de Lagos contrata empresas privadas para fazer a limpeza da via pública, bem que podia gastar mais uns trocos e mandar mais desses para a praia. Era o mínimo que se podia fazer pelo Banho 29. Imaginamos que a degradação deva ser bem pior com a Jessica a mandar o papel do corneto para o chão todos os dias, e as perturbações ao ecosistema da zona causada pelo trânsito que os Jean-Michels Pereiras e os rosadinhos norte-europeus provocam.

Fazíamos uma fogueira de banho 29 com aquilo tudo e ainda assava um chouriço. Portugalsko, Portugalsko... que paciência, mesmo.

26 August, 2007

Eduardo, que vás pelos Prados e corras como um Coelho. Vais fazer falta.


Prof. Eduardo Prado Coelho: 1944-2007

A figura de Eduardo Prado Coelho era de um homem baixinho e gordinho, tinha uma fisionomia algo estranha, nada a ver com as fotografias cheias de estilo que aparecem da sua cara em jornais e capas de livros - não nos referimos especificamente a esta aqui ao lado. O que não é mentira é mesmo a mestria da escrita e pensamento, para onde quer que fosse orientada, ou qualquer que fosse o seu credo, que é tão verdadadeira como aquilo que lhe conhecemos.

O Professor Eduardo Prado Coelho é conhecido por todos pela sua carreira profissional, como escritor e académico, mas também pela como um cronista de referência, com os seus good ol' textos no Público, que sintetizavam a actualidade em simples e curtos parágrafos, por vezes fundido-a com experiências pessoais e referências culturais e lúdicas. Marcelo? Não. Este Professor era uma personagem calma, mas que jogava à bola em muitos campos do conhecimento como se fosse o Pelé. Um mestre em escrever como conversa. Quanto às crónicas: quando o cozido está pesado, comemos só o chouriço, quando o Público era denso, comia-se a crónica do Professor; que tão raramente nos desiludia.

Encontrámo-lo em sua casa, em 2005, para lhe fazer perguntas sobre a sua vida pessoal. Ele não gostou lá muito, mas lá foi contando aquilo para o que tinha paciência. Não era lá muito simpático e escrevia melhor do que conversaria com estranhos, inspirada é esta opinião nesse único contacto; mas seria daquelas pessoas a quem, por respirarem tanta genialidade e intelectualidade, era possível compreender certas falha na gestão da melhor sociabilidade possível. Até as suas eventuais prepotências perdem significado, se foram o preço a pagar por termos tido neste país uma mente assim.

Tivemos pena de nunca termos tido a oportunidade de falar com esta personagem tão peculiar no seio dos opinion-makers portugueses sobre o seu trabalho. Um marco da nossa literatura de fim do século XX, não só pela obra - que nunca lemos, todavia -, mas pelo papel que ocupou no fortalecimento da cultura portuguesa na Europa unida.

Se há alguma coisa a que se lhe atribui mérito - deve haver, mas não sabemos mais - que se refira. A sua partida foi uma notícia que nos comoveu de certa forma, por convivermos com ele, através daquelas páginas. Uma figura que merece palmas.

A última crónica do Professor no Público está aqui

21 August, 2007

Vroom Vroom Açores!!!


Agosto nos Açores pode provar-se uma experiência de tempo inglês, como de calor tropical, mas uma coisa é certa, é a "natureza intacta" mesmo, como eles gostam de dizer.

Divertimo-nos alongside Laura naquela semaninha, em que se percorreu a ilha de São Migiuel de carro, abrindo uma janela para se compreender, mais ou menos, o que são os Açores hoje em dia.

Não é fácil adivinhar, ainda assim, que por detrás de tantas hortenses e plantinhas se escondesse uma terra de boas comidas, de muita hospitalidade e do tuning.

São as três impressões que nos ficaram de São Miguel: peixe, carne, e morcela com ananás; a simpatia de toda e qualquer pessoa - idos vão os tempos da FLA, pelos vistos -; e as discotecas ambulantes que se passeavam pelas ruas de Ponta Delgada e Ribeira Grande. E isto ainda acontecia com mais frequência, visto ser, aquela semana que lá passámos, a Semana da Juventude. Ora, querendo mostrar aos moços da terra a caminho das festas as suas viaturas, era vê-los a passar. Nunca em Moscavide se fariam coisas tão boas. Exemplo: Seat Cordoba, bem aperaltado por fora, só com bancos da frente, com strobes dentro do carro, a bombar também dois focos verdes cá para fora e com a luz neon azul clássica por debaixo do carro também intermitente, ao som do Bob Sinclair. Ponha aqui o seu pézinho no meu bote num tirinho se vai á Ribeira Grande. Cuidado más êlles!

Não descobrimos onde eram os picanços, mas pelo menos nas duas vias rápidas - a P.Delgada-Ribeira Grande e a P.Delgada-Lagoa, não eram de certeza.

Fora de brincadeiras, os Açores são, sim uma grande terra. O turismo disparou, sem dúvida, e os preços também, mas o cuidado com que são feitos os jardins, o bom estado da maioria das estradas, e a hospitalidade com que toda a gente nos trata; faz esquecer os tempos em que todo o que era continental era para abater. Foram umas grandes férias, e a deixar o dinheirinho dentro do nosso país, porque alguém tem de pagar aqueles super-anúncios que se fizeram sobre os Açores - ao menos que sirvam para alguma coisa.

Obrigado Açores, uma pérola deste mundo.

16 August, 2007

Era para ser sobre "O Verão" em geral, mas pronto


In the house again. Já fizemos pausas maiores, mas desta vez foi mesmo por causa do Verão. O Verão quente de 2007. É verdade que, para a imprensa, todos os Verões são "quentes" desde 1976, e há sempre uma razão. Nos últimos anos, o "calor" teve razões de natureza variada, que foram desde o futebol aos incêndios, Casas Pias e Maddie MacCanns, entre outras. O nosso, felizmente, foi "quente" no lazer; e porquê, pergunta o espectro leitor.

Ora pois bem, foi por obra e graça de Siddartha Gautama que pudemos estar presentes, nem que em apenas um dos dias (através do "aía pede lá" e do "por acaso não tens") em praticamente todos os festivais que para aí houve desde Maio. A começar pelos Campos de Creme e pelo Ao Vivo, onde vimos dois bons concertos: Dub Incorporation e Beastie Boys, respectivamente. Pudemos também passar pelo Delta Tejo e pelo festival Avis a Rasgar, onde o reggaezinho do nosso coração foi representado exactamente pelos mesmos artistas que primeiro nos introduziram ao estilo "novo" da música jamaicana, longínquo vai o ano de 1999: Sizzla Kalonji e Tony Rebel. Pelo meio, nestes eventos, ainda deu para ver coisas mais fraquinhas, como foram todos os concertos do Cream Fields; Da Weasel - pela 100a vez - e um muito pobre Matisyahu no Alive; mas também uns surpreendentes Macaco e Orishas no Delta Tejo.

Chegando ao final do mês de Julho, houve Sines, ah pois houve, houve. Aquele que é provavelmente o festival com melhor espírito em Portugal, teve este ano a sua edição mais megalómana, e com mais afluência. A música é sempre boa, e não há que pensar que "world music" é sempre a Mariza ou gajos de turbante, não. Como nos outros anos, vimos coisas muito muito boas, tanto no mítico cenário do Castelo, como no palco secundário que desde há dois anos, talvez, está montado na marginal, junto à praia. Muito freak, muito tudo. Aquele festival é outra onda. Fomos aos dois últimos dias, mas destacamos os artistas do último. A começar por K'Naan, um rapper somálio muito original, Señor Coconut, cuja cumbia, salsa, merengue e outras latinadas resultaram em expectativas ultrapassadas; e o melhor concerto do ano: Gogol Bordello. Deste último, bem, nem digo nada, vaiam-se informarem-se.

E virados para norte, a bússula aponta para a esquerda, mas um bocadinho abaixo, e vamos para onde? Pois é, Sudoeste (introdução do estilo daquele programa "tacho" dos destinos portugueses que agora dá à noite na dois, apresentado por um dos Morangos com Açucar e outra qualquer). Não nos vmaos alongar muito, mas é só para dizer que, se o ano passado o Sudoeste se vendeu, este ano, meus amigos. Foi dos piores festivais de que há memória, e, especialmente, porque o único concerto que queríamos ver - Saïan Supa Crew - foi cancelado. Mas este ano, a organização foi muito má, com horários rígidos e trocados para os concertos, e afluência exagerada. O tempo não ajudou, mas Sudoeste é Sudoeste. É a mamadice do costume, com o pessoal do costume. Mas cansa, e este cansou bastante. De destacar, um curto concerto de Cypress Hill, a consagração dos Buraka Som Sistema, um Manu Chao muito bom, assim como Damian Marley. Groove Armada armaram boa festa, assim como Babylon Circus, uma mistura de música étnica e ska a abrir, vinda de França, que partiu a loja. No reggae destaca-se Yellow Man, Martin Jondo, Daddy Mory, e Pow Pow Movement, que é sempre bom. E pronto, nem vamos fazer referência aos artistas "encher chouriço", que ninguém conhece, que este ano a Música no Coração resolveu colocar no cartaz, tipo Pink Floyd não sei de onde. Ah, e deve ter havido outras coisas boas, como Bonde do Rolé e Soulbizness, mas não pudemos ver.

E bem, íamos agora começar por falar deste contexto político-social e mediátio veraneante em que vivemos, mas visto que gastámos 4 ou 5 parágrafos a falar das nossas aventuras como "playboy" dos festivais, fica para amanhã.

Wowey-Yoy! Wowye Yoy Yoy Yo!

PS: Aí fica uma foto, não autorizada, esperemos que não haja problema, do melhor concerto do ano. Também estávamos nessa moshada à antiga. Counter-revolution has begun!