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24 May, 2007

Mad Line


Não deveria haver muita diferença entre Madeleine e os milhares de crianças que todos os anos morrem, não desaparecem apenas, em África ou noutro continente em vias de desenvolvimento. Brutalizadas das maneiras mais cruéis, fustigados pela guerra e pela fome. A infortunada Madeleine foi provavelmente raptada do sol da Praia da Luz, o que já de si já não é tão mau. Não, até agora não se sabe o que aconteceu a Madeleine, mas é o suficiente para os pais se terem tornado celebridades, e o caso ter consumido recursos estatais portugueses e ingleses. As crianças que são filhas da guerra não são seres tão importantes como a Madeleine? A própria história do Rui Pedro, desaparecido há 9 anos, português, não nos diz mais respeito que a Madeleine?

Como toda a gente, não há hipótese de não lamentar o desaparecimento desta criança, apesar de tudo bem-nascida e bem nutrida, mas uma criança. Mas quem lamenta o desaparecimento das crianças mal-nascidas e mal nutridas? A comunicação social portuguesa mostra os pais da criança a irem à missa em Fátima, tendo já um porta-voz do governo britânico para falar por eles aos jornalistas. Já para não falar do facto que a imprensa sensacionalista inglesa, como bem lhe é conhecida, atirou-se à polícia portuguesa como se tivessem sido as autoridades a fazer desaparecer a menina. Será que a Madeleine era o Messias? Ou é uma criança desaparecida como todas as outras, que quando já não há mais nada a fazer pregam com a fotografia dela num pacote de leite?

Com os McCann toda a gente se importa, não se sabe porquê.

PS: E nem venham com moralidades acerca desta opinião, porque nós não subimos os preços dos espaços publicitários entre os telejornais e não vendemos mais edições por causa disto.

3 Comments:

Anonymous L. said...

Independentemente do abuso da cobertura mediática deste caso, que de uma forma cínica passa uma "grande preocupação", e que essa, a existir, deveria ser igualmente pronunciada em situações semelhantes ou piores, como as "milhares de crianças que todos os anos morrem", não é caso para pensar que esta situação em específico até é um mal menor.

Está claro que não é essa a ideia do post.

O grande mal está realmente na lógica de construção das notícias e nos efeitos que provoca na opinião pública.
Sabe-se que a sociedade passa a dar importância ao que a comunicação social mostra como relevante. Por outro lado, já poucos se impressionam com "as crianças que são filhas da guerra", talvez porque milhares de imagens foram bombardeadas em todas as casas, todos os dias, ao longo dos anos. E o ser humano tende a defender-se do desgaste da informação do dia-a-dia, olvidando e passando para 2º plano as barbaridades que são cometidas.

Neste contexto, até é de perceber que toda a gente se importe agora com os McCann ou, melhor dizendo, com a Madeleine - não é todos os dias que se vêm imagens de meninas loirinhas tão queridas que desapareceram.

A comunicação social lá se vai aproveitando destas situações e é bom que se tenha consciência disso.

Hoje, no Dia Internacional da Criança Desaparecida, já o ministro da Justiça se pronunciou acerca da intenção de considerar o crime de subtracção de menores uma prioridade de investigação na nova lei de política criminal.

É agora é que isto vai passar a ser um tema importante na agenda política deste nosso país...

9:44 AM  
Anonymous l. said...

Algo a ter em conta também: os pais da Madeleine bem que se têm esforçado para que nada caia no esquecimento.
Ainda bem que eles podem e conseguem.
Please Maddie, aparece...
Espero que a encontrem...

6:08 AM  
Blogger Patricia said...

"A própria história do Rui Pedro, desaparecido há 9 anos, português, não nos diz mais respeito que a Madeleine?"

subscrevo inteiramente este teu post. principalmente esta frase, que acho que diz tudo. foi preciso desaparecer a criança para se voltar a ver aquela mãe (do rui pedro)a pedir para não desistirem do filho. foi preciso desaparecer a maddie para ela poder ter a OPORTUNIDADE de apelar a uma investigação mais exaustiva num caso que foi completamente esquecido. E mesmo assim, foi tratada mais como uma "comentadora" do caso maddie do que como uma mãe que perdeu um filho há 11 anos.

10:03 AM  

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