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31 May, 2007

O descontentamento à portuguesa contemporânea


Eram 8 da manhã e já as multidões desorientadas se apinhavam nas paragens dos autocarros alternativos. O dia 30 de Maio era o dia em que tudo parava. A capital tornou-se um formigueiro descontrolado em que reinava a confusão geral. Milhares de vidas com os horários baralhados. Pela hora de almoço, marchou a primeira vaga da manifestação da grande Greve Geral. Como um exército impiedoso, setecentos mil trabalhadores e estudantes iniciavam a marcha a partir do Marquês de Pombal até à Rua de São Bento, gritando palavras de ordem. Mais tarde, o trânsito da hora de ponta foi bloqueado pela multidão, os ânimos começaram a exaltar-se, dando origem a vários episódios com a polícia de choque. Estes prolongaram-se noite dentro. Ondas de vandalismo varreram as avenidas próximas, num cenário de carros incendiados e algumas montras partidas, com manifestantes a confrontar a polícia com pedras. A paragem dos serviços lançou um caos do qual as forças de segurança não puderam sequer dar conta, pois tinham sido desviados os meios para conter o tamanho a que chegou aquela mostra de descontentamento popular.

TU: "Cala-te, não foi nada assim."
GA: "Ai não, não foi. Eu até me virei para um polícia e disse: os senhores polícias são todos uns grandes incompetentes, é, é."
TU: "E mais, e mais."
GA: "Pois foi, depois andei num carro da CGTP com um megafone lá em cima e tudo."
TU: "Aía! Isso é demais? Então e a parte dos carros incendiados?"
GA: "Ah, isso foi só um gajo que pegou fogo a um jornal?"
TU: "Ah! Então isso não foi bem assim como contaste."
GA: "Tá bem, pronto. Não foi. Mas estamos muito descontentes!"
TU: "Mas descontentes... como no estrangeiro?"

PS: Isto é tentar explicar, de uma maneira meio seca, como temos hoje quase até melhores razões em Portugal para se dar uma greve geral nos contornos da de França. Mas razões há, paciência é que não. E também preferimos guardar uns trocos para mais um imperial com tremoço ou caracol, do que pagar as cotas da CGTP.

24 May, 2007

Português claro que explica o Portugal obscuro


Para quem se interesse por uma análise sucinta, simples e eficaz da situação que vivem hoje os prfissionais em Portugal, especialmente os mais vulneráveis e quem está no início de carreira; sugerimos este artigo no Diário Económico online. Não há mais nada a dizer, só a ler..

Mad Line


Não deveria haver muita diferença entre Madeleine e os milhares de crianças que todos os anos morrem, não desaparecem apenas, em África ou noutro continente em vias de desenvolvimento. Brutalizadas das maneiras mais cruéis, fustigados pela guerra e pela fome. A infortunada Madeleine foi provavelmente raptada do sol da Praia da Luz, o que já de si já não é tão mau. Não, até agora não se sabe o que aconteceu a Madeleine, mas é o suficiente para os pais se terem tornado celebridades, e o caso ter consumido recursos estatais portugueses e ingleses. As crianças que são filhas da guerra não são seres tão importantes como a Madeleine? A própria história do Rui Pedro, desaparecido há 9 anos, português, não nos diz mais respeito que a Madeleine?

Como toda a gente, não há hipótese de não lamentar o desaparecimento desta criança, apesar de tudo bem-nascida e bem nutrida, mas uma criança. Mas quem lamenta o desaparecimento das crianças mal-nascidas e mal nutridas? A comunicação social portuguesa mostra os pais da criança a irem à missa em Fátima, tendo já um porta-voz do governo britânico para falar por eles aos jornalistas. Já para não falar do facto que a imprensa sensacionalista inglesa, como bem lhe é conhecida, atirou-se à polícia portuguesa como se tivessem sido as autoridades a fazer desaparecer a menina. Será que a Madeleine era o Messias? Ou é uma criança desaparecida como todas as outras, que quando já não há mais nada a fazer pregam com a fotografia dela num pacote de leite?

Com os McCann toda a gente se importa, não se sabe porquê.

PS: E nem venham com moralidades acerca desta opinião, porque nós não subimos os preços dos espaços publicitários entre os telejornais e não vendemos mais edições por causa disto.

05 May, 2007

Câmara Municipal de Lisboa: os manfios amadores


Realmente. Queixam-se muito, que há abuso de poder e tráfico de influências; favorecimento privado em negócios públicos e controlo da comunicação social. E onde é que isto se passa sempre? É em Felgueiras, Marco de Canavezes, Gondomar, Amarante, Viseu, Madeira... Em Lisboa não! Acham que sim?

O que se passou na Câmara Municipal de Lisboa, desta vez a provocar a queda do executivo, nada mais não é que uma tradição. E esta diz que "aquele que tiver poder autárquico, deve usá-lo em seu benefício, sob pena de, se não o fizer, estar a desperdiçar esse poder." É verdade, se não se fizerem parques de estacionamento para a Bragaparques explorar, alterações no PDM para as construtoras poderem fazer florestas de betão em Telheiras e na Expo, ou túneis do Marquês e prolongamentos do eixo Norte-Sul; para que é que serve o presidente e seus vereadores? Curioso é que estas obras foram, como quase todas as obras públicas da capital, adjudicadas a consórcios dos quais faz quase sempre parte a Construtora do Tâmega. Se calhar vão para lá dar uns mergulhos todos juntos, sabe-se lá.

Todos os que passaram pela Câmara de Lisboa, que nos lembremos, não houve um único executivo que não tivesse tido pelo menos um caso, e quase sempre vários, desde Sampaio a Carmona. Todos, mas mesmo todos, foram xico-espertos, e usaram o poder em benefício próprio. Não houve um único que saísse limpo do mandato. Pá, eles lá no Norte podem mandar espancar, usar o dinheiro público para putedo e vinho verde, fazer sacos azuis e mandar na polícia e nas rádios locais. Mas vocês cá são uns manfios amadores, só roubam uns trocos e deixam-se ir chorar para a comunicação social. Se estivesse na Câmara de Lisboa fechava pelo menos uma parte do Bairro Alto só para família e amigos, e tornava o Ramiro propriedade da autarquia!

Vê-se logo que são uns meninos, não perbem nada do que é ser manfio.