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02 February, 2007

O emprego precário num país otário

Nada melhor que falar nesta vergonha pegada que se passa com os licenciados desempregados, justamente no dia em voltamos nós próprios a essa condição. A questão não está, apesar de tudo, naqueles que estão desempregados, porque os que não o estão, na nossa área, trabalham em condições precárias, sob a tirania vinculadora de um patronato que nesta classe é vergonhoso. Sim amigos, falo-vos dos licenciados em Comunicação Social.

Sim senhor, podem vir dizer "mas olha lá, para que é que te puseste a tirar isso". As pessoas que de facto gostam de Comunicação dirão, claro, que no fundo não seria a ambição de se tornar ric@, que os fez mover. Mas como qualquer formado em qualquer coisa, espera do mercado um reconhecimento mínimo pela sua actividade profissional, e ser tratado com respeito por quem lhe paga e para quem trabalha. Mas, infelizmente, voltámos a um tempo onde o respeito pelo trabalhador se evaporou, e na nossa área está-se a passar algo vergonhoso, que o governo não quer ver.

A ideia sempre foi a dos recibos verdes, mas apesar disso uma pessoa é tratada como as outras, o seja, tem as mesmas obrigações que toda a gente na empresa, jornal, ou o que seja; mas nenhuns direitos! Não há férias, não há segurança, não há nada! E sem qualquer vergonha, pedem lealdade, exacerbam a grande responsabilidade e a sorte que nos fez ter um posto de trabalho daquele calibre! Já não há vergonha! Nunca pagam, em geral, mais que 800 euros a uma pessoa licenciada e com experiência, e ainda vêm dizer "que sorte que aqui estás, sim, porque se te quiseres ir embora tenho ali uma pilha de currículos de pessoas que se sujeitam a isso na boa".

E se as coisas já estavam mal, o governo conseguiu torná-la ainda pior, com o descontrolo que é a atribuição das bolsas de estágio profissional do Instituto do Emprego e Formação Profissional. Os benefícios que a empresa recebe são muitos, para além da principal pechincha de poder pagar só 25% ao estagiário. E eis que agora é assim "sim senhor ficas cá, mereceste o teu posto de trabalho, mas quando acabar o susbsidio, baixamos-te o ordenado". E expõem esta situação como se fosse assim que tem que ser, tipo "ya, na boa man". Há já empresas, que colocam estagiários só para receberem o subsídio, tão conveniente que é ter um estagiário que não faz nada até acabar a mama, e depois põem-no a andar e chamam outro. Mesmo que não precisem de uma pessoa a mais. É uma vergonha!!!

Se houvesse respeito, a empresa teria a noção de que, no final, mais 150 ou 200 euros não farão a diferença para a empresa que fará para o fim do mês do trabalhador. Com a agravante de normalmente serem pessoas novas, em princípio de carreira, que a ganhar 700 euros por mês dificilmente se autonomizam financeiramente. Não há mesmo nenhum respeito! Encostam as pessoas à parede quando lhes apetece e impõem aquilo que querem, e como ninguém está a contrato, se não se aceitar, eles mandam vir outra pessoa. E como será que o governo não vê isto?

A maneira cruel e arbitrária como tratam um profissional em princípio de carreira na nossa área é terceiro mundista, e mesmo que proponham um contrato, os termos são sempre precários e exaltados pelo patronato como "uma ganda sorte". Isto é tudo uma vergonha, porque já nem sequer há vergonha.

E porque é que os "brandos costumes" desta gente têm sempre que se meter no caminho? Porque é que não tapamos todos a cara e vamos para a frente da Assembleia da República virar carros ao contrário e chamar-lhes conards como na Francha!

Desculpem pelo tom e brusquidão com que escrevemos esta entrada, é uma situação que sentimos dia-a-dia com colegas e amigos, e tendo vivido o mesmo antes, sabendo que o vamos viver outra vez apetece ir ás Highlands da Escócia, e à beira de um precipício gritar: "RAAAAAMMMMIIIIRRRREZZZZZZ.

2 Comments:

Blogger MiSs Detective said...

caro colega ;) ja tinha lido o teu post, mas não tinha tido tempo para comentar (estava a trabalhar, agora), entretanto os dias foram passando.. Hoje aqui em conversa contigo, lembrei-me...
Pois é, é como dizes não há respeito, não à vergonha. Sentimo-nos uns felizardos porque nos aceitaram em qualquer lado, quer seja a recibos, quer seja a estágio profissional, quer seja a contrato de 6 meses... Sentimo-nos felizes porque estamos activos. Na verdade sentimo-nos felizes porque não somos daqueles que coitados ainda não arranjaram nada. Até há
uns dias pensava que até ao momento não me podia queixar, pois, enganei-me (mas ninguem tem a culpa que eu assine coisas que não devo, à partida). No entanto, armei-me em sindicalista até aos dentes e enfrentei as feras. Jamais irei deixar os meus filhos tirarem qualquer curso das humanidades (opçoes: engenheiro, mecanico, piloto, canalizador, cabeleireiro, e essas coisas que dão dinheiro e garantem um futuro menos instavel que o nosso!). Sinto uma vergonha imensa daquilo que temos que passar e ao que temos que sujeitar 5 anos de pestanas queimadas... Estou contigo era ja tudo pra frente da assembleia!! e RECLAMAR!! Reclamar a promiscuidade que são so estágios profissionais, os meses de experiência que tmeos que dar num contrato de 6 meses e o que se recebe pela porta do cavalo!! Melhores diras virão, melhores dias virão!!

4:52 PM  
Anonymous Anonymous said...

Para estas coisas já não chega reclamar!!!!!!!!
É identificar os meios, qual é o jornal, TV ou outro e com a ajuda dos sindicatos e da DECO, (não para reclamar), mas sim para fazer campanhas massivas para que nimguem compre ou veja essa coisa, só assim!
Agua mole em pedra dura!
O unico poder que nos resta é o de consumidor! e é esse que é presiso mobilizar!

9:52 AM  

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