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18 January, 2007

Despenalizaçãoaria Pegada!

Levou algum tempo até que, pela observação da "batalha" do referendo sobre a despenalização do aborto, nos lembrássemos de escrever uma entrada sobre esta questão. É óbvio, e estreando-nos nós em opções político-ideológico- sociológicas neste blogster - para além daquelas que se debruçam sobre o inevitável facto latente e real de, muito provavelmente, o Nuno Rogeiro ser tão palerma e mal penteado como o Jorge Jesus -, dizemos que vamos votar SIM à despenalização do aborto. Já o dissemos, temo-lo dito - porque, como alguém disse, "tenho dito" está na moda...

Agora, não nos resta senão atirar-nos à campanha conservadora e ignorante do NÃO, que, passados 9 anos sobre o último referendo, continua a bater-se de argumentos tão estúpidos quanto infundados, ou não seria a Igreja, sim, essa insituição com tanto jeito para a política dos pobres, a dar a grande força ao Movimento reaccionário. Antes de prosseguirmos com a chacina político-verbal, permitam-nos que deixemos um desafio para ambas as campanhas: a sério, não custa nada arranjarem um designer amigo para vos desenhar os logos e os panfletos, porque aquilo que se tem visto está aos níveis das rifas para a quermesse das festas da escola; e das fracas!

Ora portanto, porque é que nao se pode fazer um aborto? "Porque non". Então mas e, se não houver condições para tratar da criança, vão condenar a paragem de uma coisa, que até às 10 semanas uns acham que é vida e outros não, a viver na infelicidade ou à guarda do Estado, consumindo-lhe os recursos para uma vida miserrável? "Xim, porque axim nos diz Deus noxo xenhor, do qual nós xomos a sua boz". Sim, e se nós não formos católicos, porque temos de enterrar a nossa vida por causa de um erro de percurso? "Porque xim". Então, mas e se depois...? "Porque xim". Então, mas...? "Porque xim, tá biblía, o Papa dixe, então, é axim."

É basicamente uma coisa deste estilo que é o cerne da questão dos Movimentos pelo Não, no qual o "porque sim" e o "por que é assim" fundamenta tudo. Toda a demagogia é elaborada a partir daqui, uma estupidez a seguir à outra. É óbvio que são incontáveis os argumentos inválidos avançados pelo movimento pelo NÃO, sempre com aquele toque católico romano, que lhe dá um ar ainda mais pitoresco, mas irritante, contudo, pela popularidade que continua a ter, no século XXI! Uma crítica não-cientificamente provada a um slogan, porque nós gostamos de ser críticos:

"Pagar clínicas de aborto com os nossos impostos? Não, obrigada". Muito bem, ganda campanha hã? Isso e que é convencer! A mentira nasce aqui quando, com os nosso impostos, já são pagos os períodos de prisão das mulheres condenadas, as custas judiciais dos processos, as investigações, as complicaçoes clínicas provocadas por abortos clandestinos mal-sucedidos, a educação das crianças de mãe julgada e sem condições de custódia, e outras complicações facilmente imagináveis. Reservar uma sala num bloco de partos para condignamente acolher estes casos nao parece mais barato? Hm...

Bem também não sabemos bem, mas sabemos, sim, que aquele senhor Arcebispo de Braga - desses a quem ainda chamam "Dom" não-sei-quê, porquê, não sabemos - que comparou o aborto até às 10 semanas com a execução de Saddam, não pode estar bem da cabeça, ou não sabe que o Saddam já tinha mais de 10 semanas. Enfim, uma boa crítica à la Santa Igreja, a aproveitar um pouco da actualidade, reforçando a mensagem aos ouvidos dos crentes.

Votarem em consciência Portugueses, e verem bem a quem ouvem.

2 Comments:

Anonymous L. said...

A discussão em torno deste tema toca em sensionalismos ridículos.
Para além da politização "pirosa" e dos cartazes de mau gosto espalhados pelas cidades, e das várias instituições virem defender o que lhes dá mais jeito, canso-me de ouvir argumentos que vêm impor uma certa moral.

É que, quanto a mim, esta é sobretudo uma questão de convicção, de consciência, de moral; e não me parece justo que alguma lei ou o Estado, ou a Igreja, ou seja quem for, opine e critique ou julgue sobre aquilo que eu penso acerca deste assunto.
Receia-se a banalização que uma lei que permita a despenalização voluntária do aborto possa causar, mas poderá alguém um dia julgar essa opção? Não penso.
Poderá alguém olhar para uma mulher que fez um aborto como uma criminosa? Não penso.
Fala-se em responsabilização, e certo está que não deve deixar de existir ou de se educar, mas pode ou não pode acontecer: tomar-se as devidas precauções e mesmo assim engravidar-se? Pode.
É que o arcar com as consequências do que se faz, também pode passar pelo "peso" psicológico de se ter feito um aborto. E duvido sinceramente que uma mulher fique muito contente depois de o ter feito.

Muitos outros aspectos poderia referir(a lista é interminável). Por agora, fico-me pelo SIM,
acreditando que ninguém deve ser condenado por ofender as convicções morais de outro alguém.

11:46 AM  
Blogger jota said...

esse quinto parágrafo do teu post devia ser impresso em panfletos e distribuído no metro, só para o povo ter uma noçãozinha do que é demagogia.
aprovadíssimo.

6:02 PM  

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