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29 December, 2006

Ano Velho, Mesma Merda

"Mas o que é que se passa com este país? Não é uma pergunta que se faça poucas vezes, sobre um sem número de situações. Mas sobre o seguinte assunto, a falta de originalidade da retórica encerra em si a indignação que sentimos sobre os casos de agressão e homicídio infantil - hã, cuidado -, que a nossa comunicação social adora publicitar. E aqui temos, depois da pequena Joana, no Algarve, e do caso Vanessa em Aleixo, no Norte; uma nova, a pequena Sara, de Monção. Obrigado Natal, que tanto dinheiro fazes gastar sob o signo do amor fraterno, que nem assim fazes com que pessoas absolutamente anormais maltratem crianças, chegando mesmo a matá-las. Sendo a época festiva, não nos podemos esquecer da merda que há neste mundo, que até podia lembrar-se "pá, é Natal e Ano Novo e não sei quê, vou mas é acalmar, depois já posso dar porrada à vontade".

Mas a violência recalcada e a falta de noçãoo do que é a vida, não escolhe temporadas, e quem é estúpido e anormal como essa gente, é-o em todas as alturas do ano, como também os havia entre os nazarenos, naqueles tempos anárquicos - sim ninguém da família de Yeshua tomava banho - quando Jesus nasceu - sim, é por isso que se celebra o Natal, é verdade.

A pequena Sara foi mais uma mártir, que acaba por mostrar a todos que ainda existem pessoas a viver na Idade Média - e até antes - e, como tal, merecendo ser agrilhoados, sodomizados, torturados e expostos a trabalhos forçados - isto para quem não pensa em penas de morte. A rapariga de Monção, uma criança de dois anos e meio, não pode mais lutar para ser feliz, porque a sua mãe, uma mulher franzina de 24 anos ,não a deixou - passando a expressão Floribella.

Pedimos desculpa pelo tom depressivo desta entrada, mas não pudemos deixar de lembrar estes factos, sublinhando que, neste país, há quem faça coisas mais graves que o Pinto da Costa, o José Veiga ou até o Nobre Guedes ou o Santana Lopes. E é nos casos como o da Sara, que temos que nos indignar ainda com mais fulgor que no curriqueiro Apito Dourado, ou até o Casa Pia, que passou de processo penal a político, como quem troca de cuecas, e de quem andou na cueca errada.

Vamos agora celebrar a Passagem de Ano, porque vamos continuar a desbundar a vida - ya tasse bem, ya -, claro, sendo que a merda não é nova, mas vamos lá também abrir a pestana em 2007, e começar a tomar atenção aos homo erectus que vivem entre nós.

PS: É verdade, usámos a palavra "merda", que não se enquadra no nosso hábito de não usar palavras a que se convencionou chamar "asneiras", mas se o MST critica os blogues então também não devia empregar o "filhos da puta", e ele ganha a vida e escrever.

22 December, 2006

O Maior Fim deste Ano


É verdade, temos o prazer e a infelicidade de estendermos uma mão amiga a uma casa da noite de Lisboa, que foi um espaço artístico - e de lajer ora poijé - importante desde o dia em que abriu. O Clube Mercado, na Rua das Taipas, vai fechar as suas portas na última noite de 2006, com muita pena nossa e dos muitos que lá tocaram e passaram. Muito obrigado àqueles que a montaram, pois dela teremos sempre saudades! Queremos ver onde surgirá outra casa assim, é o maior fim do ano em Lisboa - quem quiser, que não deixe de se informar, porque vai lá haver mesmo uma festa de fim-de-ano, que será a última.

Obrigado Mercado

11 December, 2006

A campanha pela Mediocridade - vota sim! Tele-propagandas Jamba, a educar Portugal


Pois é, choca! Ai choca, choca! E não somos facilmente impressionáveis, tentando, na nossa busca da verdade universal, pensar em todos os prismas das questões. É uma coisa gestaltista, analítica, um postura científica. Mas por mais científicos, analíticos, ou seja o que for, não há ninguém neste planeta que consiga explicar porque é que existem aqueles anúncios das mensagens e aplicações ordinárias que se encomendam para o telemóvel. Agora que adquirimos o grau de "tio", com a recente vinda da nossa primeira descendente indirecta, a sobrinha Carolina, que tem 3 dias, não nos imaginamos sentados num sofá a ver televisão com a criança, e a levar com anúncios do estilo PeidoNatal, como se viu o ano passado.

Este ano, uma das tais empresas que fornecessem esses serviços, a Jamba, foi mais longe. Pode dar-se a si mesmo uma prenda 3G, encomendando uma aplicação qualquer que mede o tamanho do senhor do andar de baixo. O que é que isto faz às crianças e adolescentes problemáticos, que vêm isto a todas as horas do dia! Nem é só à noite, nem só à tarde, é todo o dia! Mas será que a Alta Autoridade para a Comunicação Social não vê isto? O que é que se passa? Será que o Belmiro de Azevedo, o Joe Berardo ou o Ricardo Salgado são donos dessas empresas? O que é que se passa?

Gostávamos que alguém nos explicasse, mas, se não aparecer nenhum comentador anónimo a explicar que as receitas desses anúncios são tão grandes que podem comprar este ataque às mentes de crianças, adolescentes e adultos, temos de partir para cima deles! - como xe dix na gíria do funtiboli.

Bem, não se podem dizer asneiras em televisão, não se podem mostrar mensagens políticas extremistas, sim, o Big Brother ainda passava, mas isto? Não vemos a razão, não alcançamos o prisma que nos permita compreender o que sustém o facto destes anúncios serem permitidos, ainda que consideremos que as Televendas já são promíscuas que chegue. Não somos nada destas coisas, mas, se isto nos causar alguma vez alguma ofensa "moral" - que conservadores que nós somos, "santanetes" - Alta Autoridade, aí vamos nós! Quem está conosco? (Assim se vê a força de quem vê!)

07 December, 2006

Cortesia de Jota - Uma verdade sobre a Intelectualidade de um Senhor, um Senhor especial


"Donald Rumsfeld briefed the President this morning. He told Bush that 3 Brazilian soldiers were killed in Iraq.
To everyone's amazement, the entire colour ran from Bush's face. Then he collapsed onto his desk, head in hands, visibly shaken.
Finally, he composed himself and asked Rumsfeld, "Just exactly how many is a brazillion?"

Faz-nos lembrar aquela cena num dos filmes do Michael Moore: "Mr. President, what is to be done towards the recent violence put forth against American soldiers in Iraq? "We are working closely with world leaders from around the globe to address that question with most efficiency. Now watch this drive!" E lá dava ele a tacada de golfe para os jornalistas.

Este Walker, o Ranger do Mundo, faz muita porcaria, mas que lá que é engraçado...

A União Europeia e os presentes de Natal


E eis que, na sua magnânima bondade, na sua generosidade omnipotente, na sua compaixão divina, e no seu amor barrosiano, a União Europeia, na voz do Banco Central pseudo-não-alemão, subiu as taxas de juro para a simpática cifra dos 3,5%. Para nós, esta já era uma prenda europeia de encher os olhos, pois vem logo a seguir a termos a pseudo-socialista Segoléne Royal a discursar no Porto. Que bom!

A nós dão-nos tudo, mas para António Costa, que pediu uma "solução europeia global" para a imigração, lá naquela coisa dos socialistas que está a acontecer no Porto, não sabemos se o Pai Natal vai ser assim tão generoso. Sarkozy est pas seule, lá está.

"- Mas tipo, chaval, tu curtes a União Europeia? Não, mêmo, diz lá, a sério.
- Fogo, então não chaval, mêmo so se bem mano! Estes manos são mêmo à grande, son! Pedes e dão-te, meu! Tipo há aí pips que já foi pó Erasmus, tipo, pessoal que trabalha lá, tipo, dão guita para as obras aí e para os agricultores. É uma cena fixe tou-ta a falar, man!
- E a ti já te deram alguma coisa?
- Hm..."

Nostalgias da Geração Nineties


No outro dia demos por nós a sentimentalizar uma visão de uma antiga versão do programa Windows Media Player. E, realmente, pensámos "fogo, isto dantes acontecia quando passávamos numa rua, numa cidade, no Amoreiras, por algum episódio que ali se tinha passado; agora com o computador!?" E chegámos a uma conclusão: a sociedade tornou-se, toda ela, na sua larga maioria, de "geeks", "wierdos", "twats"; mesmo estes, conceitos exactos em inglês, o que revela que, sendo um fenómeno globalizante, pode apenas ser definido ao estilo globalizante, em inglês, a língua oficial do "small world" - é que não há maneira de fugir, fogo, tantas chapadas na testa, mas não sai outra coisa senão cámone. Se alguém quiser avançar uma versão conceptual em português que abranja tanto como "geek", é favor comentar.

Somos todos "geeks" agora, toda a gente mexe no computador para tudo todo o dia - quem nele trabalha em especial-, toda a gente conhece bem os filmes StarWars ou o Matrix, o Lord of the Rings tornou-se uma história de "Blockbuster", e muitos dos antigos "homens da rua" já se enclausuram a jogar Playstation em casa, e já ninguém guarda revistas porno debaixo da cama, porque fazem download na Internet; e os grande bate-couros de antigamente estão digitalizados. Já ninguém ouve música pesada, muitos garanhões trocaram a mota pelo metro, ir ao cinema já não é a excitação, o José Cid tornou-se moda. Claro isto é tem muito do nosso Cantinho, mas esta é uma tranformação que vem de cima, e que tem as suas consequências secundárias ao nosso estilo tuga.

De qualquer forma, e como em todo o mundo, anda toda a gente, os estilosos, os rufias, as giras e as feias, os gordos e os magros, os espertos e os burros, agarrados ao computador, aos telemóveis, parecem os putos do nosso tempo, no recreio a jogar Gameboy, enquanto os garanhões persistiam no jogo da bola. Elas, sentavam-se no canto a conversar, hoje conversa cada uma com o telemóvel, deixando-se um sinal de socialização saudável, quando uma telefona á amiga que está dois metros ao lado, do mal o menos.

A nossa vida, pelo menos a nossa, dos que ainda temos sorte - a Geração Nineties, os últimos moicanos - está toda comprada, patrocinada, e todas as empresas compraram a concessão de namings para as nossas memórias. Ainda bem que, para nós, nem só a versão antiga do Windows Media Player nos provoca saudade, ainda há sítios, sem marcas, sem produtos, sem Internet, que nada tiveram na ver com momentos marcantes das nossas vidas. Os computadores, o grande bombardeamento comercial e publicitário, sempre foi uma coisa que caminhava lado-a-lado com as nossas próprias impressões digitais no tempo e no espaço; hoje, parece que ocupam tudo o que fazemos, tudo para o que olhamos, tudo. Nós já não protagonizamos este mundo, e as memórias de quem cresce no século XXI, adivinhamos, vão, mais do que as nossas, ter de lado um anúncio, tendo muitas vezes algo informático.

PS: Nós gostamos de ver qualquer coisa nossa ser ouvida por outros e já não fazemos fanzines, abrimos uma conta no Blogger, onde a papinha já tá toda feita, "groovy uh?" ("Parem com esse inglês!" diz Camões na nossa cabeça). A própria contradição está mesmo em estarmos a passar esta mensagem através do computador, é estranho não é?