"

My Photo
Name:
Location: Portugal

24 August, 2006

Os Cem Anos do Marcello (Marcelo so com um L para quem e de esquerda) na optica do afilhado Nuno Rogeiro


Nuno Rogeiro. Pois é, Nuno Rogeiro. Sabe tudo o Nuno Rogeiro, há mesmo quem diga que o verdadeiro Pai Natal é o Nuno Rogeiro e que se pintou de castanho nos anos 50, acabando por se sagrar um dos maiores jogadores do Mundo sob o alter-ego Pelé. E agora, na nossa ignorância, sabemos que é afilhado do defunto Marcello Caetano (os dois "l" não quer dizer que nos coloquemos à direita, é o nome do homem porra), e que conviveu téte-a-téte com o Big M. O artigo da semana passada da Sábado é um verdadeiro hino à sorte de Nuno Rogeiro. Que não chega a fazer uma única crítica às coisas que ouvia o seu "il padrino" dizer, antes tentando entusiasmar os leitores a um mergulho literário até à sua convivência com o "tio" Marcello. Homem esclarecido, que abertamente falava de política à mesa dos refinados jantares de família, preparados pelo Chef não-sei-quê. Não é muito bonito repetir-se o "eu" como faz Nuno Rogeiro tão genialmente nesta crónica, mas este politólogo não perde também a oportunidade de se declarar acima do normal, quer pelo relato ternurento da convivência classe alta com Marcello, quer mesmo pela particularidade de ter feito referência ao facto de o tio o congratular "pelos MEUS sucessivos quadros de honra no liceu". Mas que génio extraordinário Nuno Rogeiro é, uma pessoa extraordinária, algures entre o Marcelo Rebelo de Sousa e o sócio de brinco do "60 Minutes", que contudo se destaca pela ciência política sensacionalista que propaga, pensamentos que lhe saem daquela farta mente, devidamente protegida pelo penteado Norton de Matos, herdado possivelmente daquelas alturas em que tinha 15 anos, quando já se entregava a considerações político-filosóficas, em franca harmonia com o "tio" Marcello, que lhe elogiava o interesse pela História. Ui, se houvesse Bush nessa altura! Sobredotado era já Nuno Rogeiro com 15 anos, como fez questão de propagandear ao longo do artigo, elogiando-se a si mesmo e ao meio em que socializava, prosseguindo após a queda do Estado Novo ( através de cartas que a Sábado, para jubilo dos seus muitos leitores do eixo Cascais-Lapa possuidores de apelidos com muitos nomes, vai publicar já na próxima semana), o contacto com o padrinho. Estes continuaram até à morte do criador de uma polícia política bastante diferente da PIDE, a DGS, em 1969. Que orgulho Rogeiro! É engraçado como se permite hoje colar ao Estado Novo e, neste caso, ao sucessor de Salazar - que tentou erróneamente liberalizar o regime com uma democracia "à la carte" - uma imagem de saudosista admiração. A nostalgia de um Portugal estável, que permite que se fale desses anos sem ao menos se ter a dignidade de dar um ar de certa condenção por se ter vivido num regime ditatorial ridículo, que ainda sem ser puramente fascista, atrasou este Cantinho irreversivelmente, por detrás de uma imagem política profundamente cínica, e de uma constituição que muitos historiadores portugueses orgulhosos gostam de chamar a "primeira híbrida do mundo". Não sei que admiração se possa ter por aquele regime ou por aquele sistema jurídico, que demonstrava precisamente aquilo que toda a gente gosta de dizer hoje em dia: "no papel é uma coija, ma na prática é outra coija". Nuno Rogeiro escreveu mal, muito mal, deixando escapar uma certa admiração, ainda que por pessoas próximas, sem a colmatar com uma crítica esclarecida de quem vive no século XXI, sintomas de um certo movimento das antigas famílias controladoras, altamente e exageradamente atacadas e fustigadas até aos anos 90 pelo entusiasmo revolucionário, ainda assim o consideramos. Hoje, essas voltam a afirmar a oligarquia sem receios, os que sobreviveram com algumas posses pelo menos, podendo hoje recordar-se o Estado Novo como uma fase da história de Portugal. Mas não foi só uma fase caros D'Oreys, pois quem não estava como vocês protegido por um estatuto social ou de outro tipo qualquer, sofreu e sofreu muito. E o senhor Rogeiro, mais uma vez desiludiu, antes tivesse sido pelas tuas demonstrações de sapiência duvidosa, que vão além do seu, apesar de tudo, respeitado saber. Pode saber muito, mas não sabe tudo, como pensa. Falar do Estado Novo é falar dele de uma maneira neutra, e, dado a tendência dessa avaliação pender sempre e naturalmente para o negativo, aqui não somos democráticos (é verdade), pensamos que se deverá sempre balanceá-la, ainda que por vergonha de quem se diz democrata, com uma crítica subjacente, pelo menos uma referência à atrocidade, porque, se somos pela democracia, não há outra saída. Nuno Rogeiro está numa posição previligiada de falar na segunda curta fase do Estado Novo, com conhecimento de causa, mas preferiu colocar-se como um protagonista numa elite grandiosa, a mesma responsável pelo Tarrafal e a inquisição política, os massacres da Guerra do Ultramar (que também referiu, com a maior naturalidade) e a estupificação de um país e de um povo que é o seu. Nuno Rogeiro conseguiu demonstrar mais uma faceta, a juntar às muitas sobre as quais tem opinião, Agora era amigo de Marcello e conviveu no seio do Estado Novo. Que orgulho poderá para uma pessoa normal daí advir? Plutão perdeu o estatuto de planeta, para Rogeiro a ditadura do Estado Novo perdeu o estatuto de totalitário, tenha vergonha caro senhor. Não falou foi na bonita farda que se usava Mocidade Portuguesa. Pois é, nem tudo era bonito não era? Este ano no Mundial? Cantou "Força Palancas" ou saiu-lhe um "Angola é nossa"? Não se descaia tanto que ainda cai da cadeira como Salazar.

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Nuno Rogeiro é um politiqueiro, como comentarista político é um direitista convicto,como comunicador, um arrivista snob. Acho-o panfletário e como panfletário e presunçoso, falta-lhe tudo para mestre universitário.
Nuno Rogeiro politiqueiro, não politólogo, é um comentarista comprometido com o seu umbigo. Ainda bem que sou velha demais para ter tido a desdita de o ter como professor. Eu tive a honra de ter como meu mestre Adriano Moreira, um homem brilhante que conseguia ensinar toda a gente de todas as convicções sem tropeçar em seguidismos, nem preconceitos. Ao pé desse mestre o nuninho não passa de uma caganita de mosca, jamais será um doutor em Ciência Política. Disse!

9:17 AM  

Post a Comment

<< Home