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08 August, 2006

Kofi Annan fora da guestlist para o 1º Grande Churrasco do Direito Internacional


Temperem a carne! Vai começar o churrasco! Os livros de Direito Internacional, a Carta das Nações Unidas, a Convenção de Genebra, e outros tantos tratados multilaterais, plurilaterais, plexilaterais, cosmolaterais, vortexolaterais, periniolaterais, e outros laterais a jogar na esquerda e na direita podem finalmente ser queimados no fogueirão. A escalada do conflito no Líbano, desde o seu começo, foi um cuspidela ranhosa em todas as convenções internacionais desde o Tratado de Vestefália. Isto porque, se algum vislumbre havia sobre o significado real do tendencioso e complicado conceito de soberania, agora até a física quântica parece uma raspadinha, quando comparada com esta salada de desculpas e justificações imorais e ilegais. Para um membro da ONU atacar um Estado necessitará sempre de ter o aval do Conselho de Segurança, que, ou autoriza o país a agir por conta própria, ou coordena uma resposta concertada dos membros, nos termos da escalada da intervenção estabelecida no capítulo VII da Carta das Nações Unidas. Israel é um Estado-membro das Nações Unidas ou são simplesmente judeus? Porque se for a segunda hipótese a mais válida, também queremos ser judeus e fazer aquilo que bem nos apetece só porque historicamente professamos uma religião censurada (nem se fala de povo, que não existe, porque tem apenas a haver com valores morais e religiosos, disseminados por várias etnias) por todos; ah, e sofremos a barbárie hitleriana, esta sim, sem par na história, mas que havemos de repetir até à morte, porque os nossos tetravós moravam num gueto em Varsóvia. O quê, tás a gozar com o meu chapéu e com as minhas tranças? Anda cá já para eu te colocar um pequeno objecto delgado e pontiagudo em chamas pelo teu pequeno orifício pressionado pelas tuas tensões dérmicas rosadas e sujas. Anda cá oh tu oh, oh libanês oh! És do Hezbollah!? Não és? Mas não és judeu? Não? Então vens comigo na mesma que eu tou-me a cagar para ti. Quantas vezes isto se repetiu em Israel, quantas vezes Israel não capturou prisioneiros de guerra (classificação que recusam a terroristas, e para a qual ainda não há consenso) dentro e fora das suas fronteiras. Isto é USAfreestyle, fazemos o que queremos e o que nos apetece, e quem é amigo quem é? É o George Walker! Isto é tudo demais, demais! E o mais grave é que isto toma lugar sem o Ariel lava-tudo! Sempre que vem um novo dirigente israelita os jornais gostam de dizer "ai sim, este sim, é mais moderado". Parece que Israel, tanto o Likud como o Kadima, esgotou os seus moderados, ou será que não sairam ainda da sinagoga? Olmert já disse, como cita o Folha de São Paulo de 29 de Março"Vamos estabelecer as bordas do Estado de Israel, um Estado judeu com uma maioria judia". Este atitude poderia ser a tipicamente judia, onde cada um sabe das suas bordas, querem sempre estabelecer bem a quem pertence cada lado da borda, tu és árabe eu sou semita, cada um com a sua borda, tu não te metes nas minhas e eu não me meto nas tuas. Mas não, tem de sempre haver uma mostra de prepotência internacional, pior que a guerra do Iraque. É verdade, houve ajustes na ordem jurídica internacional para permitir que houvesse algum tipo de intervenções, quando a segurança mundial estivesse em risco. E a Coreia do Norte? Não é um risco? Bem, é tudo trapalhada. Depois de já terem morrido mais do que 500 pessoas no conflito, e depois do teatro se ter alargado a Beirute, tendo destruido partes significativas da cidade e da vida de milhares de libaneses, é que Kofi Annan veio com os seus "we are deeply concerned"s, mas o que adianta isso? Quem deixa de morrer por isso. Que ninguém nos venha com o sorrisinho atravessado a dizer que diplomacia é isso. O direito internacional só é aplicado quando convém, e isto é um caso claro de agressão de um Estado a outro.
Se a ONU não serve para aquilo a que se propôs no seu nascimento , legalmente publicado e codificado no Preâmbulo da Carta das Nações Unidas, então serve para quê? Para tachos? É o que parece, não sabemos se os americanos continuam a pagar o que pagam pelas Nações Unidas para poderem fazer o que querem, mas a nós, sinceramente, parece-nos que a guerra fria já acabou e eles não precisam de uma mediação. Fazem o que querem de qualquer maneira, e o chavalito Israel segue-lhe o exemplo. Vá a andar, é melhor ir comprar já as senhas para a entremeada com livros do Azeredo Lopes que vai logo esgotar! Então e a Paula Escarameia? Vão assar lá chouriço! A sério, siga aí mano, baza lá! Pera pera, tá ali um gajo a acender uma brasa com o John Gadis! Chaval, caga memo nisso, siga mazé ali pitar aquele leitãozorro a sair ali no fogueirão do Michael Akehurst! Ganda mel chaval, e a sobremesa? Bem a sobremesa, acho e já que ele próprio não veio, que vai ser aquele Millenium Declaration, que é tipo mil folhas, do Koffi Annan, e se estiver cheio ainda bebo um Hans Blix ou um António Guterres como digestivo. E os Freitas do Amaral? Não sei, acho que o fornecedor tá doente...

2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Gostei do teu artigo. O que me aflige é que 28 anos depois de mim constatas o mesmo, com outro estilo e vocabulário mas com a mesmíssima indignação. O direito internacional tem tanto de belo como de violável e nada detém este imenso abuso de poder anão ser o equilíbrio de forças. Parece-me ser esta a constatação e a angústia de quem se interessou algum dia pelo direito da paz. Em 28 anos nada mudou ou tudo piorou.
Não me vou alargar em considerandos porque estou cansada e a contas com a nossa própria crise. Fatalmente enjoei a política depois de muitos anos de decepções
Os acontecimentos no medio oriente são revoltantes. Sendo os EUA um país com tanta gente admira-me que não se revejam a eles próprios no papel de loccusts extra-terrestres face às civilizações milenares que vão destruindo sem piedade desde o Iraque ao Líbano. "The Independence Day" mais que uma ficção é um auto-retrato da América destes últimos anos, só que na sua soberba estupidez se arrogam do papel de heróis quando é cada vez mais o papel de vilões que realmente desempenham.
Aunty Balear

3:43 AM  
Anonymous Anonymous said...

SAbiazz que hà 23 anozz eu ezcrevia o mezzmo sobre a mezzma queztão. La mierda não mudou evercince. Não Hà direito internacional nem paz que resista à porporcionalidade de votos no Conselho de Segurança è o triunfo dozz porcuzz é este mundo imoral que se criou: Mas continua... Adorei o teu artigo! Ezzcrebezz a meu gozzto
A mui impaciente Titi Balear

4:16 AM  

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