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10 August, 2006

A Crise Continua mesmo!


É um dos segredos mais bem escondidos do underground musical português. Para quem se lembra do Rock Rendez Vous e de outros eventos que tais, tipo concursos de bandas da freguesia, Ritz club, Juke Box ou aqueles festivais com nomes tipo Toc'a partir, Rebent'a a curtir, Part'e a Loja toda (como e que se chamava aquele de Lisboa, ja não nos lembramos), este não é um nome completamente desconhecido. Esse é um passado completamente apagado do imaginário musical português, que se entregou de mão beijada as sonoridades mais calientes do hip-hop damaiense e gaiense, e do puro afrikano. Pois é, muita coisa boa se faz ("é preciso olhar para o que de bom se faz neste país": cliché) nestas e noutras áreas, mas o que é certo é que se a indústria musical no Cantinho andou para a frente, muito se deve a estas bandas dos anos 80 e 90, quando o rock movia multidões e era uma fachada para a rebeldia, e não uma desculpa para se poder vestir um fato e gravata e ter bueda estilo a fazer uma coisa antiga. CRISE TOTAL é um destes exemplos, apesar de terem sido os Censurados o nome que mais longe chegou, inspirado pelas premissas do pseudo-anarquismo freak, que no fundo é o movimento punk, apenas verdadeiramente seguido por alguns, que bem sabem quem é Bakunine, e que ser-se anarquista não é ser-se anarca, nem mostrar isso pedindo trocos na Rua Augusta a cheirar mal, para comprar drogas para si e comida para o cão (não raramente chamado "cerveja", "ganza", "trance", "cavalo", "trip", etc,) e garrafõ~es de tinto Afonso III, com Vat69 para os dias mais abonados. Voltando aos CRISE TOTAL, são um autêntico documento da diversidade social, que cada vez parece mais longe do espectro social (ao contrário de Espanha), e onde são vociferados os mais beligerantes gritos contra os "tubarões", e, especialmente no album "best of" de 1996 (julgavam que era novo não?!) cuja capa aqui apresentamos, numa atitude quase profética, que avançava António Guterres como um (mas não o único) dos símbolos da crise profunda em que Portugal mergulhou à passagem do Milénio. "Prefiro morrer enforcado, do que morrer soldado" é uma boa dica para a geração anterior, nós, por exemplo, já lá não vamos cheirar de certeza, mas é em temas como "A Crise Continua" e "Foi Portugal" que os CRISE TOTAL se tornam um grande símbolo da história da juventude no Cantinho. O som pode não agradar a todos, é verdade, mas o "A Crise Continua" já nada tem a ver com o street-punk no qual a banda se fundou, não pela atitude, mas, especialmente, pela qualidade da gravação, com temas revividos por novos elementos, vindos de outra banda do punk-hardcore mais negro em Portugal, os Sub-Caos. Há coisas que ninguém sabe, porque o que interessa é o Bossaque e os pseudo-reggaes surfistas da linha de Cascais e afins, assim como outros crossovers electrónicos de vozes femininas a lembrar putos ricos a beber Martinis em Saint-Tropez. Mas os CRISE TOTAL e outras bandas da nossa juventude e da pequena cena punk-hardcore lisboeta, que tanto contribuiram para uma dinâmica social e um empossamento de poder juvenil e de alguma crítica ciente, a lembrar pré-25 de Abril, nunca as havemos-de esquecer. Teremos sempre pena destas novas gerações, tão dependentes do que lhes metem na cabeça e das modas, e com uma "teenage angst" que é descarregada nos canais onde lhes dizem para o fazer: gangsta rap, linkin parks, e outros que tais. Cresçam putos, vejam o que é que é verdadeiro nas ondas que curtem! Tanta cena boa de hip-hop, afrikano, não precisam do punk para nada, isso já passou! Mas a revolta não passa! Nasce convosco, e tem de ser descarregada colectivamente, criativamente, criticamente e abertamente! You gotta take the power back! Ass. Pai Buda (não queríamos ser gurus nestas coisas, entusiamámo-nos).

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