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Name: D.T. (J.)

06 July, 2009

Um grande ilusão


Ainda agora estamos a ver a apresentação do Cristiano Ronaldo no Madrid, e, à parte das 80000 pessoas que estão ali a ver um gajo a falar 3 minutos e a vestir de branco, ocorreu-nos uma questão.

Porque e que de repente, entre os comentadores de futebol, se começou a usar de forma tão disseminada a palavra "ilusão" à espanhola? "A equipa tem uma grande ilusão", "os jogadores têm muita ilusão", "a ilusão e o sonho de um clube?" Ibéria?

(aqui em cima está uma verdadeira ilusão, ora olhe-se bem)

26 June, 2009

Don't stop 'till you get Enough



Depois do concerto de Alvalade, já Michael Jackson tinha morrido para sempre na nossa rotina quotidiana. Deixou de ser um artista, cujo trabalho seguimos e apreciamos e procuramos do seu trabalho retirar prazer com alguma regularidade, a sua presença física passou tudo isso para secundário. A sua música perdeu para nós toda a suscitação de interesse de forma regular, tal como religiosos medianos que não precisam de ler a mesma oração todos os dias.

Era uma coisa já tão lá, no mesmo sítio, era como o Castelo de São Jorge, de que aparentemente não precisamos, que só contemplamos de vez em quando, mas que, quando queremos, nos desperta uma sensação de pertença, de segurança no nosso conhecimento e na nossa experiência de vida. Mas isso só acontece porque está lá, e há-de estar sempre. Pode não ter qualquer impacto na vida e pode até estar desaparecido durante anos, mas está simplesmente lá. Agora, o Wacko Jacko já não está.

Era uma espécie de sub-divindade distante e majestática, que, apesar de não ocupar sequer um nano-segundo de um único pensamento nosso há eternidades, faz com que a sua perda nos afecte de certa forma, sem sabermos porquê. A perda de uma referência ausente, não sabemos, é estranho.

Bom, mas para não parecer que isto é mais uma lamechice na onda da maré de notícias e do momentum da actualidade, deixamos acima uma música que bem representa, quanto a nós, a vida e a morte de Michael Jackon: não pares até teres o suficiente, para bem ou para mal. Uma música apropriada para quem nunca parou até ter tudo, e nada...

09 June, 2009

A Selecção de todos nós

A proeminência da música luso-americana é um facto incontornável, uma corrente que junta contemporâneos esquemas coreográficos com a arte do canto popular e urbano, com isto interligando rasgos literários de brilhantismo imensurável.

É a chamada da portugalidade que atravessa oceanos, que se funde com a cultura local, que expande a identidade da nação de uma forma quinto-imperialista, que espalha a lusa espiritualidade esclarecida por onde passe leve e vibrante língua de Camões, desta forma musicada.

Contemplai as vozes dos filhos de Viriato e Gama, de Henriques e Dias, de Albuquerque e Magalhães!

1) Duo São Lindas - Poesia



2) Telmo Miranda - Ela é Portuguesa


3) Eduardo Mourato - The Blue Ocean

05 June, 2009

Uma lufada de ar fresco


Portugal tem um novo herói.

Apesar do aproveitamento inexplicável que a comunicação social fez dos dramas da ordem dos advogados, uma personagem ressalta deste turbilhão de problemas, que em si têm um interesse público de grau zero; dando-se a conhecer por uma atitude que refresca a salamalecada do costume da actualidade portuguesa.

A nova Maria da Fonte chama-se António Marinho Pinto. Ainda que no plano prático não se tenham concretizado em força as boas intenções e a coragem de que aparenta estar munido, o protagonismo do senhor parece ser o princípio de uma linha de acção com substância.

A razão deste destaque, pode ser exemplificado em cinco episódios deliciosos:

1) Acção: Finalmente, se nunca tinha havido ninguém - nem mesmo as grandes mentes da opinião, tão inteligentes, tão cultos, tão espertos, como Marcelo, Sousa Tavares ou Pulido Valente - que tivesse tido a coragem de dizer na cara a Manuela Moura Guedes, que o que se faz nos jornais da TVI por ela apresentados é um chorrilho sensacionalista, crucificante e anti-deontológica; tivemos finalmente uma atitude responsável. Quem foi, quem é? Marinho Pinto.
Reacção: Um início de argumentação final ao seu estilo com uma frase assertiva: "o soutor é um bufo, o soutor vem para a praça pública dizer que há advogados que FAZEM crimes, que pratiquê os não sei o quê, e que fazem não sei que mais". Seguida da saída fácil pela boa educação forçada da Betty Grafstein-meets-Overaged surfer girl, rendida a uma posição que publicamente evidenciou a falta de brio jornalístico, oportunismo fácil de uma profissional medíocre, obcecada pelo protagonismo (não seria a sua frase mais conhecida: "EU SOU MANUELA MOURA GUEDES").

2) Acção: Não só, para nós, foi este senhor corajoso na TVI, como no programa Prós e Contras disse aos seus prezados, honrosos, grandiosos, ilustres colegas (como gostam de se lamber os doutores - ninguém sabe porquê - advogados em Portugal); que os advogados não deveriam ter direito a passar à frente de ninguém nos serviços de atendimento público de entidades do Estado.
Reacção: A maioria da sala riu-se, num reflexo claro por parte do poder desleixado e instalado, que, pelo insulto fácil, sem argumentação, brada as palavras "populismo" e "demagogia". isto porque mudar para melhor e mais justo para todos não é aceitável em Portugal, e deve manter-se tudo como está. "Atan na tava ê tam bem?"

3) Acção: Salvaguardar o seu mandato, até porque foi democraticamente eleito.
Reacção: Dizem os dirigentes dos conselhos distritais da Ordem, que Marinho Pinto desrespeita a vontade dos advogados. Marinho Pinto não tem direito a impôr alterações orçamentais, apesar de ser essa uma das competências do orgão a que preside. Ai é? Tás a meter a colher no nosso prato, então bloqueie-se o funcionamento da ordem e convque-se uma Assembleia Geral extraordinária para tirar o homem de lá. E é um escândalo ele não a querer convocar!

4) Acção: Denunciar numa declaração (como faz o Presidente da República, a comunicação social e o homem do café), que há advogados que dão cobertura a actos ilícitos e inclusivé os viabilizam. Tudo o que foi feito no BPN, no BPP e noutros casos teve, pela sua complexidade, e não é preciso provas para afirmar isso, assistência jurídica. É preciso que a Ordem denuncie esses casos, para dignificar a classe.
Reacção: Está a insultar todos os 30000 advogados portugueses! Se sabe de casos que os denuncie! É uma declaração muito grave! Mais grave ainda, porque queremos que ele saia do conselho geral da ordem. Ponha-se processos disciplinares, pode ser que ele saia.

5) Acção: Insurgiu-se contra o facto de os "magistrados pressionados" no caso Freeport terem pedido uma audiência ao Presidente da República e não aos orgãos indicados para o efeito, tais como o Conselho Superior de Magistratura e o Ministério Público. Explicou o bastonário que o Presidente não pode tomar quaisquer acções que não consultivas e que este "encontro" põe em causa a separação de poderes no estado de direito.
Reacção: Marinho Pinto é amigo do Sócrates! Está tudo feito! Esse senhor é corrupto e ataca os magistrados!

Até agora, gritamos "Golo" cada vez que Marinho Pinto fala de questões que devem ser abertamente discutidas, como há muito ninguém fazia. E porque num país em que delicadeza é sinónimo de fraqueza não se podem ter meias palavras, este homem manuseia a frontalidade no limite da boa educação com uma coragem invulgar,

Seja qual tenha sido a sua, dizem, obscura carreira como advogado (e até como jornalista), estamos curiosos para ver o grau de influência da postura política do bastonário, que foi, até agora, tanto quanto se viu, coerente na defesa das suas posições e corajoso na natureza das suas afirmações.

Uma lufada de ar fresco entre barbas e dossiers.

You go girl!

16 April, 2009



Clique na imagem para uma melhor perspectiva da opinião.

03 April, 2009

Pega de caras


Pensamos que há muita gente com mais legitimidade que outra para protestar ou sequer para considerar protestar contra as touradas. É este o tema de hoje, não é? Pronto vá diz lá.

Na nossa perspectiva, consideramos a tourada uma coisa completamente arcaica e geradora de um prazer contemplativo que é da ordem do homo erectus, sendo que é essa a opinião que nos suscita. Por um lado, a grande carneirada popular não abona muito em favor da tauromaquia - hoje é mais conhecida pela sua presença nos estádios de futebol-; e por outro lado pela frieza com que se assiste, e ainda mais, se vibra, com o sofrimento de um animal - que ainda por cima não luta em pé de igualdade, o que pode sugerir alguma cobardia de como a "arte" é preparada.

Vendem a tauromaquia como uma arte. Arte, arte é o Cavalia para os cavaleiros! Ou para os forcados o Rugby, o bungee-jumping, ou TigerWresting. E para os matadores, pois para as sevilhanas e para o hóquei não é preciso torturar um animal. Façam outra coisa, é preciso magoar o bicho!?

Mas, apesar de quaisquer juízos morais, também só lá vai quem quer, só vai à missa quem quer, só vai à bola quem quer. E por muito estúpido que nos pareça, julgamos ter de aceitar que a tauromaquia não rouba nada a ninguém e que, lá na terra deles, por muito estúpida que seja a actividade, eles lá se divertem e não obrigam ninguém a ir.

O preço a pagar pelo divertimento dos aficionados da tourada é alto. Ainda assim, o que é mais arcaico, brutal e completamente inconcebível é a maneira como se tratam os animais na indústria de produção alimentar. A tourada? A tourada é para meninos! Vão ver a carninha que comem embaladinha do Pingo Doce e vão ver como é que as ovelhinhas são atiradas à bruta de carrinhas abaixo ou como as galinhas são electrocutadas automaticamente assim que saem pela primeira vez da gaiola no fim da sua curta vida cheia de hormonas para o super-crescimento. Como vivem com a pressão para serem mortos.

E para este espectáculo, infelizmente, nem toda a gente sabe que compra o bilhete todos os dias. E mesmo os que o sabem, oh pois não vão deixar de ir comprar a sua carnuca para o churrasco de Domingo. E para a terem sabe-se muito bem que não se matam nem se torturam 10 touros por tourada mensal, rebaixa-se sim a condição de existência de milhares de seres vivos até ao mais baixo da crueldade, diariamente.

"Ah mas isso é carne pa comer, não é só para matar os animais". Pois, mas mesmo jogando no campo do que é moralmente válido, como os que nisso acreditam gostam de fazer, a indústria, e não a mão do Homem, é que "produz" a comida. A indústria não é o homem e não obedece só à fomeca de cada um. Obedece a estratégias de rendimento, em nome das quais se matam os animais que forem precisos da maneira mais rentável possível, mesmo que seja para criar excedentes e criar deformidades na natureza. Apesar de não termos aqui dados nem paciência para estar a falar dos contornos de como isto se processa, suspeita-se que os animais em cativeiro e as suas vidas sofrem mais do que aquilo que seria necessário se a indústria tivesse ligada à cabeça e à fomeca de cada um; e não quisesse nunca criar mais necessidades do que aquelas que realmente temos.

Por isso, quem gosta de dizer mal das touradas mas come o bifinho embaladinho da indústria carniceira ou até do talho, deveria pensar muito bem antes de se por a fazer juízos morais sobre as touradas ou a caça. Se calhar há prazeres mórbidos, que, quando disfarçados de necessidade, se tornam perigosos e afectam o julgamento de cada um.

Nós vamos continuar a comer o bife, temos pena, e a não gostar de touradas, temos pena; mas ao menos não há cá rebeldia sem causa. Para quem não come o bifinho, ai pois é a quem se pode dar toda a legitimidade para protestar; mas quem o come, tem que se lembrar que a vida não é Barrancos e um dia não são Samoras Correias.

Mu.

04 March, 2009

Por conservador se entende...


A entrada anterior descrevia no seu título o senhor Schwarzinator como um "republicano conservador". Ainda assim, e depois de pormos os olhos num convite feito pela JCP à participação numa iniciativa por eles organizada, pensamos melhor se o termo "conservador" ainda pode continuar a ser associado àquela corrente ideológica dos tempos de Edmund Burke e do fim do século XVIII.

Há alguns autores que classificam o conservadorismo liberal como uma "negação de ideologia". E como é que as bases do que veio a ser chamado "a direita" acabam, cerca de 200 anos depois, por ser a mesma coisa, pintada de vermelho.

JCP: Acordem pá! Vocês são comunistas! Comunistas! Não são anti-imperialistas, anti-fascistas, sindicalistas, nem revolucionários! São, em primeiro e em último lugar, comunistas! Uma ideologia que tantas vezes provou que, apesar dos seus fundamentos Rousseaunianos (será assim que se diz?) o ser humano não é naturalmente bom. Já é suficientemente difícil provar que seja sequer dado à cooperação do toma lá-dá cá.

Para além de que o messianismo entre a revolução donde alguns mamam e a libertação da necessidade do Estado pelo povo, liderado pelo proletariado, é sempre uma constante em todas as histórias de regimes comunistas. Nunca passam da segunda fase, tem piada.

Ora bem, e finalmente, o caso de Cuba não é uma excepção de quem só chegou, na Revolução, à segunda base. Onde está a libertação do povo? A ideias é: está-se a libertar, aos poucos, primeiro comigo e depois com o meu irmão, diz o Ti Fidel. How convenient. Tudo isto num país próspero, justo, livre em expressão e direitos, onde os médicos e professores se formaram sem pagarem os estudos - se não houvesse médicos e professores aí é que era mau -. Sim, há alguma pobreza, mas a culpa é do embargo americano. A culpa dos campos de concentração na Coreia do Norte também é dos americanos. Isto só para falar de dois dos regimes que ainda sobrevivem.

Há ideias que se retiram da ideologia, é certo, mas ver jovens a falar como velhos que com aquela idade nunca mais se vão convencer de outra coisa, tipo fanáticos senis, é de estranhar.

Então vá lá, inspirou-nos esta carta da Juventude Comunista Portuguesa, que convida certos e determinados jovens a participar numa viagem a Cuba, na qual se encontrariam num encontro do FMJD (Federação Mundial da Juventude Democrática, ya).

Dizia então o seguinte: "O ano de 2009 é um ano muito especial para a juventude anti-imperialista do mundo- Por um lado, é o ano que marca o 60º aniversário da NATO, sessenta anos de crimes, destruição e assassinatos contra todos aqueles que, de alguma forma, lutam contra o imperialismo. Por outro lado, é também o ano do 50º aniversário da gloriosa Revolução Cubana, um exemplo demonstrativo que, apesar dos ataques imperialistas, é possível construir um país de paz, progresso e soberania do nosso tempo."

Vamos à lista o mais actualizada possível sobre esta trindade do sucesso cubano:

Paz: Amnistia Internacional
HumanRightsWatch

Progresso: The Economist

(Ah, claro esta instituição e este jornal são, claro, imperialistas, porcos capitalistas, fascistas, dominados pela maçonaria e por associações obscuras de gente do poder e do dinheiro).

Soberania: - a segunda moeda oficial é o dólar americano e os EUA têm a base de Guantanamo.
- O tráfico de bens e pessoas e emigração massiva são um dado incontornável, e o que é um facto é que há vodkas, whiskies, delikatessen e etc que se orgulham de ser "o favorito de Fidel Castro".
- isto para além das 50000 estâncias de férias espalhadas pelo país, das quais só o Estado e os estrangeiros beneficiam. Incluindo a americaníssima cadeia de resorts americana Breezes

Bem, e já chega de bater no ceguinho, tenham juízo crianças.